sexta-feira, 18 de março de 2011

Falando de ética



Pegando carona no post do blogger da irmã Ìyá Fernanda de Òsún (http://maefernandadeoxum.blogspot.com), senti a necessidade de reiterar um tema sobre a ética dentro do mundo do Candomblé. Irmã Fernanda, Àwúrè!

Comento este post, pois o acho de extrema importância... infelizmente, tenho visto (e como...), a falta de ética dentro da nossa religião, cada vez mais inflamada. Inclusive, em meu blog escrevi sobre isso, com o tema de intolerância interna. A ética e a moral são conceitos que deveriam fazer parte do caráter humano, principalmente dos nossos, como omo-òrìsás, onde o caráter é super evidenciado pelos nossos ancestrais. Esquecem de ter "Ifá Aya" (a consciência de Deus no coração). Como se não bastasse, termos que conviver com uma série de preconceitos contra a nossa religião, ainda temos que conviver com a triste realidade, de Bàbás e Ìyás que se acham acima do bem e do mal, que se acham superiores e julgadores da doutrina e procedimentos das casas alheias; como vc bem disse: chegam aos nossos ilès, "se achando", confraternizam (se é que podemos chamar esse comportamento de confraternização), com o objetivo único e absoluto de aliciar os filhos daquela casa, sem o menor pudor ou vergonha, na primeira oportunidade, colocam sempre defeitos nos ritos, e se oferecem como "poção mágica" aos nossos noviços como a resolução dos seus possíveis problemas, quando não, acabam plantando uma gama de dúvidas e questionamentos. Tal postura deveria ser repelida, pois a estas pessoas, acredita-se que ao ser empossada em seus Oyès deveriam na verdade, repassar aos mais novos, a rigorosa e necessária hierarquia espiritual, porém, aguçam com a sua lábia de "urubus em busca de carniça", o desrespeito às lições e mostras do poder dos nossos Òrìsás, que em dúvidas, acabam por desmerecer as mãos seguras dos seus iniciadores, que em sua maioria, foi escolhida pelo "Òrìsá" do próprio filho. 
Sou do tempo, onde o Òrìsá escolhia a mão do seu Zelador, e nos dias de hoje, infelizmente, somos obrigados a conviver com os descartes cada vez mais frequentes. Acredito, que não precisamos de uma igreja evangélica para dissipar com a nossa religião, infelizmente, os maus adeptos (pessoas desse tipo), acabarão fazendo-o, e colocando a perder, uma religião rica, cheia de cultura, filosofia e beleza, onde os nossos ancestrais lutaram em toda a sua plenitude para deixar seu legado, apenas movidos por suas vaidades, disputas, concorrências, dinheiro fácil e outros tantos sentimentos mesquinhos.
Obrigada por sua postagem... temos que incurtir  e repercurtir a ética, em todos os sentidos da nossa vida, porém, a ética religiosa, infelizmente, encontra-se indo de mal à pior. O Sacerdócio não é visto de maneira plena por alguns... eu por exemplo, mantenho sempre o cuidado em não atender, pessoas que supostamente, tenham ou frequentem uma casa de santo, mas infelizmente, para alguns o dinheiro e a vaidade de arrecadar mais um "Ori" é mais importante.
Nossa defesa quanto esse tipo de gente, é realmente a orientação e a transparência aos nossos filhos sobre essa situação... sempre evidenciando um Conselho de Ifá: "Nem tudo que reluz é ouro", é claro... que acabamos tendo algumas "baixas" pelo longo do caminho, mas, se formos fortes, determinados e religiosos, e respeitarmos à ética e a moral, vão estar conosco àqueles filhos que realmente devem estar. 


"Afinal, muitos são os que lucram com essa desordem religiosa atual! E quem perde é a Religião Africana como um todo! " by Fernanda ti Òsún 

Mo jùbá!!

Um comentário:

  1. Adorei seu Blog e suas orientações. Sou admiradora do Candomblé e confesso que sempre que posso, leio a respeito, pois me encanta o respeito com a natureza!
    Volto mais vezes para ler seus textos e aprender mais um pouco sobre a Religião.
    Beijinhos
    Li

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