sábado, 9 de abril de 2011

Ko si Ewé ... Ko si Òrìsá!

Aquilo que te cura é o que te escraviza. Veneno e remédio são irmãos e moram no asè da mesma folha. É desta forma que Ifá nos esclarece sobre a natureza do òrìsá Osanyin, o senhor das plantas medicinais e litúrgicas das matas cerradas e densas florestas. 

Meditar sobre Osanyin coloca o homem diante de perguntas das mais pertinentes sobre a nossa condição e relação com o mundo: determinada coisa  é a minha cura  ou a minha condenação? Me liberta ou escraviza? Quem é o verdadeiro escravo, o cativo ou o seu dono? 

Dizem que Osanyin - que vivia pelas matas ao lado de seu escravo Aroni -  recebeu o poder de Olodumare para conhecer o mistério das folhas. Guardou as folhas todas numa cabaça pendurada no galho de uma árvore. Um dia Yànsán, muito curiosa, enfeitiçou os ventos para que eles derrubassem o galho da árvore e espalhassem as folhas sagradas pela floresta. Os demais Òrìsás, então, recolheram determinadas folhas e passaram a considerá-las como suas.

Esse conto de Ifá, o corpo literário e filosófico dos Yorubás que está em pé de igualdade com os mais belos sistemas de pensamento que a humanidade concebeu, é uma poderosa alegoria sobre a difusão do saber pelo mundo. A curiosidade espalhou o conhecimento e difundiu o segredo.

Havia, porém, um problema. A folha, para se transformar em remédio, tem que ser potencializada pela palavra e o canto. Só o encantamento pelo verbo é capaz de dotar a folha de seus atributos de cura. A ausência da palavra não potencializa a folha. A utilização da palavra errada transforma em veneno o que era para ser o bálsamo.  

Os Òrìsás, então, mesmo tendo recolhido as folhas que o vento de Yànsán distribuiu, precisavam ainda de Osanyin, porque só a ele Olodùmarè dera o conhecimento das palavras e dos cantos capazes de dotar as folhas do asè. E é essa a função de Osanyin desde então, potencializar a folha pela palavra e dotar a planta da capacidade de vida e morte.

Osanyin é, portanto, dos Òrìsás mais perigosos, sedutores e desafiadores. É o senhor da expressão certa que nos cura e o conhecedor da palavra que, mal colocada, pode nos matar. Veneno e remédio, afinal, são irmãos.

Osanyin mostra o poder da palavra que vira poema, canto, evocação do mistério, libertação e vitalidade.
Osanyin alerta para o poder da palavra que desarmoniza, é declaração de guerra, dureza de pedra, escravidão e perda do asè - a morte.

Osanyin ri e zomba dos homens que não sabem o que fazer com o verbo. São estes, curiosamente, os que mais falam.


Encanta a folha com a tua palavra, mas não faz do teu verbo a serpente que envenena  o mundo. Eis o desafio poderoso que Osanyin nos lança todos os dias e está expresso em um dos seus mais famosos orikis.

É por isso, segundo a filosofia nagô, que os Bábàlosanyin [sacerdotes de Osanyin e conhecedores dos atributos do encantamento das plantas] são os mais calados dentre os sábios. Eles sabem exatamente que o homem que diz sou, não é.
 
Por conhecer o teor de veneno e remédio que cada palavra guarda, os que reverenciam o senhor das folhas, se não podem encantar o mundo, preferem silenciar.

 Texto de Luiz Antonio Simas






Ábèbè Òsún = Erva Capitão
Abéré = Picão Preto

Ábitólá = Cambará

Àfòmón = Erva de Passarinho

Àgbá = Romã

Àgbàdó = Milho

Àgbaó = Imbaúba

Agbéye = Melão D'Água

Àgbon = Coqueiro

Àgogo = Figueira do Inferno

Àjóbi, Àjóbi Oilé, Àjóbi Pupá = Aroeira Comum, Aroeira Vermelha

Àjóbi Funfun = Aroeira Branca

Akan = Cará Moela

Akòko = Acoco

Jokonije = Jarrinha

Alékèsì = São Gonçalinho

Àlùbósà = Cebola

Àlúkerésé = Dama da Noite

Àlùmóm = Boldo Paulista

Àmù = Sete Sangrias

Apáòká = Jaqueira

Àrìdan = Aridan

Àrùsò = Alfazema

Àsíkùtá e Efin = Malva Branca

Ata = Pimenta Malagueta

Ataare = Pimenta da Costa

Atopá Kun = Arruda

Àtòrìnà = Sabugueiro

Awùrépépé = Agrião do Para, Pimenta D'Água

Bàlá = Taioba

Balabá = Lirio do Brejo

Bánjókó = Bem me Quer

Bàrà = Melancia

Bejerekun = Pindaíba

Bujè = Jenipapeiro

Dandá = Junquinho

Dankó = Bambu

Efínfín = Alfavaca

Efínrín Kékéré = Manjericão

Ègé = Mandioca

Ègúsi = Melão

Èkèlegbara = Perpétua

Ekun = Sapê

Elégédé = Abóbora

Èpà = Amendoim

Eré Tuntún = Levante

Eró igbin = Erva de Bicho

Èsìsì = Urtiga

Etába ou Asá = Tabaco

Étipónlá = Erva Tostão

Ewé Bàbá = Boldo

Ewé Bíyemí = Quebra Pedra

Ewé Boyí = Bétis Cheiroso

Ewé Gbúre = Bredo

Ewé Idá Òrìsà = Espada de São Jorge

Ewé Inón = Folha Fogo

Ewé Isinisini =  Mastruz

Ewé Iyá = Pariparoba

Ewé Kúkúndùnkú = Batata Doce

Ewé Lárà Funfun = Mamona

Ewé Lorogún = Abre Caminho


Local de pesquisa: 
O livro  Ewé Òrìsà.

Autor:  Flavio Pessoa de Barros e Eduardo Napoleão.                                                                                  

Ed. Bertrand Brasil .

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Solidariedade - Tragédia na Escola Tasso da Silveira Rio de Janeiro



A tragédia acontecida hoje pela manhã no município do Rio de Janeiro em uma Escola Municipal de Realengo,
crianças foram mortas, e algumas estão feridas com gravidade nos Hospitais do Rio de Janeiro.
O Hemorio informou que está sem estoque de sangue para atender a todos que estão chegando aos hospitais. Por esse motivo, convoco, como mãe, cidadã, que as pessoas procurem o Hemorio e façam doação de sangue em favor dessas crianças.

Vamos todos!!!

O  Hemorio fica na Frei Caneca, Centro do Rio de Janeiro.
Rua Frei Caneca, 8
Rio de Janeiro - RJ, 20211-030
(0xx) 21 2332-8611

quarta-feira, 23 de março de 2011

Onira - A Senhora de Ira




Itàn (Lenda):

Conta-se que Onira era uma ninfeta que sonhava com a vaidade de Òsún. Todos os dias,  ela ia ver Òsún se banhar no rio, apreciava como ela cuidava dos cabelos, peles e  etc. Havia uma pedra no meio deste rio que até uma determinada hora, quando as águas ainda estavam baixas, ela se apresentava como uma ilha e era onde Onira ficava até que as águas começassem a subir. Num belo dia, Onira adormeceu e as águas subiram o seu nível rapidamente e a encobriu antes que ela pudesse acordar. Neste mesmo momento Onira estava sonhando que era uma Òsún. Conta esta itan (lenda), que o Criador se penalisando de tão lindo sonho não permitiu que Ikù a pegasse e a encantou naquele exato momento, o que lhe permitiu de continuar vivendo este sonho na sua vida real.

Conta-se um outro itàn, que existia nas terras de Irá, uma linda moça chamada Onira, ela sempre comandava seu povo com sabedoria. Mas, ela tinha um grande problema: adorava lutar e se sentia bem em matar seus inimigos. Onira era descontrolada quando tinha em punho sua adaga de guerra. Certo dia enlouqueceu de vez, chegou a um vilarejo e matou todos q alí encontrou. Os sábios da cidade de Irá resolveram procurar Osáàlá para que Ele na condição de Rei, mandasse que Onira parasse de matar.
Onira recebeu o recado q Osáàlá queria vê-la e foi até Ilê Ifé (palácio de Osáàlá). Chegando lá, Osáálá assustou-se, pois as roupas de Onira eram vermelhas, de tanto sangue de suas vítimas. Ela ajoelhou-se e perguntou o que o grande Rei queria. Osáàlá mandou que trouxessem uma grande quantidade de Efun (seu pó branco sagrado). Pegou seu pó e jogou sobre Onira. Na mesma hora suas vestes de cor vermelha, tornaram-se rosa, por causa da mistura do pó branco com o sangue. Então, Osáàlá ordenou que Onira não mataria mais ninguém, e que ela jamais vestiria vermelho em publico, e que rosa seria sua cor, e como ela era uma moça tão quente, que fosse morar nas águas junto com Òsún.
E lhe disse:
Onira minha filha, és uma moça tão bela, tão doce, por que matas?
Sinto-me bem quando tiro a vida de alguém, mas sei q isso não é certo.
Foi então q Osáàlá teve uma idéia.
Já que você gosta lidar com a vida e com a morte, você terá junto com Oyá o domínio sobre os Eguns. Não tirarás mais a vida de ninguém, apenas irá conduzir os que já se foram.
Está certo Osáàlá, seu desejo será realizado mas não tire de mim minha adaga.
Osáàlá disse: Pode deixar, mais agora vá morar na cachoeira com Òsún.
Onira obedeceu a Osáàlá, foi morar na cachoeira. Chegando lá Òsún ria e debochava dela, mais resolveu ser sua amiga. Porém, Onira muito mal humorada, não queria papo. Até que um dia Onira adormeceu sobre uma pedra, olhando Òsún banhar-se e as águas da cachoeira subiram e Onira estava morrendo afogada, Òsún vendo o que estava acontecendo, mergulhou e foi salva-la, chegando lá Onira estava quase morta e Òsún resolveu fazer um feitiço e na mesma hora Onira reviveu e transformou-se em uma espécie de lava que correu rio a fora. Onira transformou-se em um rio de fogo. Òsún pensou que Onira havia morrido, chorou por horas, sem saber o que diria a Osáàlá, já q ele a incubiu de tomar conta da moça atrevida. Foi então que surgiu uma borboleta linda, de cor salmão com tons alaranjados, que voava ao redor de Òsún. Ela tentou pegar a borboleta que voou para dentro da floresta, Òsún seguiu a borboleta que parou em frente a uma árvore e tomou a forma da linda Onira. Òsún não acreditava no que via, e Onira lhe disse:
Por que choravas minha amiga, estou aqui viva, e graças a você!
Graças a mim porquê Onira? Eu não fiz nada.
Na hora que eu estava morrendo você fez um feitiço e dividiu comigo todo seu encanto, agora sou uma ninfa (mulher encantada), assim como você, tenho poderes de transformação. Posso ser um rio de fogo nos meus momentos de ira, posso ser um búfalo quando eu quiser ficar sozinha, e me transformar na mais bela borboleta quando estiver feliz. E Onira foi até Osáàlá lhe contar o q havia acontecido, ele ficou feliz mais sabia que toda esta mudança jamais acalmaria Onira, e que por dentro ela ainda seria aquela guerreira incansável. Mandou então que ela fosse morar com Oyá e aprender a dominar os Eguns. Depois, Onira mudou-se e foi viver com Osóòsi e como ela foi criada por caçadores, sabia caçar como ninguém. E Onira morou com quase todos os Òrìsás, aprendendo tudo que eles sabiam fazer.
 

Onira = a Senhora de Irá (terra de Oyá) 

Ela é impulsiva e suas filhas carregam suas características, são capazes em momentos de comoção doar, na hora e sem pensar, tudo o que tem, mas se a pessoa fizer uso indevido daquilo que ela doou, ela vai pra cima, sem mais delongas, se ela for traída então piorou, são capazes de tudo na hora de raiva; mas acabando esses momentos de impulsividade  momentânea são pessoas maravilhosas, prestativas. Possuem um pouco de difículdade em guardar segredos, mas, em determinadas ocasiões, sabem manter a regra.

Não vesti roupas de cores quentes, tendendo sempre ao rosa, amarelo, azul claro ou salmão para quebrar o branco total, mas geralmente rosa, devido ao seu cárater explosivo e também ter um enredo muito grande com Òsáàlá, porque foi esse caminho de Oyá que deu a Osògiyan, o poder sobre o atòri. Quando essa Oyá se manifesta é de costume colocarem ou preso em suas costas ou em sua saia um atòri, e é presença a ilustre nas festas dedicadas a Òsáàlá.

Onira reina no mundo dos mortos e tem ligação direta com Obaluwaiyè e Ògún, sendo que sua ligação maior é com Òsún Opará, que recebeu dessa qualidade de Oyá os ensinamentos para lutar e ser guerreira. 

Òsún Opará ser tornou então, companheira inseparável de Onira, comendo juntas no bambuzal ou nos rios e tendo aprendido os fundamentos dos Eguns. Sendo assim, essa qualidade de Òsún, também tem relação direta com os Eguns. Quando “Onira” e “Opará” se juntam, se tornam muito perigosas pois têm em dobro a força e a sabedoria dos guerreiros.

Òsún Opará é um caminho de Òsún jovem e guerreira, companheira de Ògún e Sangò, estando ligada diretamente com os caminhos de Osògiyan, o jovem guerreiro.


Onira está Ligada a Osògiyan, Òsún, Ògún, Ode, Obaluwaiyè ...


Fonte: www.candomble.wordpress.com (itans)

terça-feira, 22 de março de 2011

Oração do Perdão (Tradição Kahuna)



Buscando eliminar todos os bloqueios que atrapalham minha evolução dedicarei alguns momentos para perdoar.

A partir deste momento eu perdôo todas as pessoas que de alguma forma me ofenderam, me injuriaram ou me causaram dificuldades desnecessárias.

Perdôo, sinceramente, quem me rejeitou, me odiou, me abandonou, me traiu, me humilhou, me amedrontou, me iludiu.

Perdôo, especialmente, quem me provocou até que eu perdesse a paciência e reagisse violentamente para depois me fazer sentir vergonha, remorso e culpa inadequada.

Reconheço que também fui responsável pelas agressões que recebi pois várias vezes confiei em indivíduos negativos, permiti que me fizessem de boba e descarregassem sobre mim seu mau caráter.

Por longos anos suportei maus tratos, humilhações, perdendo tempo e energia, na tentativa inútil de conseguir um bom relacionamento com essas criaturas.

Já estou livre da necessidade compulsiva de sofrer e livre da obrigação de conviver com indivíduos e ambientes tóxicos. Iniciei, agora, uma nova etapa de minha vida, em companhia de gente amiga, sadia e competente. Queremos compartilhar sentimentos nobres, enquanto trabalhamos pelo progresso de todos nós.

Jamais voltarei a me queixar, falando sobre mágoas e pessoas negativas. Se, por acaso, pensar nelas, lembrarei que já estão perdoadas e descartadas de minha vida íntima definitivamente. Agradeço pelas dificuldades que essas pessoas me causaram, pois isso me ajudou a evoluir, do nível humano comum ao nível espiritualizado em que estou agora.

Quando me lembrar das pessoas que me fizeram sofrer, procurarei valorizar suas boas qualidades e pedirei ao Criador que as perdoe também, evitando que elas sejam castigadas pela lei da causa e efeito, nesta vida ou em futuras. Dou razão a todas as pessoas que rejeitaram o meu amor e minhas boas intenções, pois reconheço que é um direito que assiste a cada um me repelir, não me corresponder e me afastar de suas vidas.

(Fazer uma pausa para acúmulo de energia,
respirar profundamente algumas vezes)

Agora, sinceramente, peço perdão a todas as pessoas a quem, de alguma forma, consciente ou inconscientemente eu ofendi, injuriei, prejudiquei ou desagradei. Analisando e fazendo um julgamento de tudo que realizei ao longo de toda a minha vida, vejo que o valor das minhas boas ações é suficiente para pagar todas as minhas culpas, deixando um saldo positivo a meu favor.
 
Sinto-me em paz com minha consciência e de cabeça erguida respiro profundamente, prendo o ar e me concentro para enviar uma corrente de energia destinada ao EU SUPERIOR. Ao relaxar, minhas sensações revelam que este contato foi estabelecido.
 
Agora dirijo uma mensagem de fé ao meu EU SUPERIOR, pedindo orientação, proteção e ajuda para a realização, em ritmo acelerado, de um projeto muito importante que estou mentalizando e para o qual estou trabalhando com dedicação e amor.
 
Agradeço de todo o coração, a todas as pessoas que me ajudaram e comprometo-me a retribuir trabalhando para o bem do próximo, atuando como agente catalisador do entusiasmo, prosperidade e auto-realização. Tudo farei em harmonia com as leis da Natureza e com a permissão do nosso CRIADOR, eterno, infinito, indescritível que eu, intuitivamente sinto como o único poder real, atuante dentro e fora de mim.
 
ASSIM SEJA, ASSIM É... E ASSIM SERÁ.

Oração do perdão (Tradição Kahuna)
Escrito por Ademir Barbosa Júnior
Fonte: www.mundoaruanda.com

Doté Zezinho da Boa Viagem - homenagem

Registrou-se ontem, mais uma perda incomensurável dentro do nosso Candomblé, um dos nossos baluartes e o patriarca da nação Djedje Mahim. Faleceu, Doté Zezinho da Boa Viagem. Que Òsún com a sua força, os Voduns e seus Ancestres possam encaminhá-lo no retorno ao Òrun.

José Gomes de Lima, popularmente conhecido e respeitado por Pai  Zézinho da Boa Viagem, foi iniciado no Candomblé pelas mãos de Tata Fomutinho em 26 de Julho de 1943, para o Òrìsá Òsún, dando sua obrigação de sete anos em 14 de Outubro de 1961, fundou o Terreiro de Nossa Senhora dos Navegantes, São João de Meriti, no Rio de Janeiro.

O Povo de Djeje perde um grande Sacerdote e um Ícone dentro das religiões de matriz africana. Lastimável perda para toda a família candomblecista!









" Até aqui viajamos juntos.
Passaram vilas e cidades, cachoeiras e rios, bosques e florestas...
Não faltaram os grandes obstáculos.
Freqüentes foram as cercas, ajudando a transpor abismos...
As subidas e descidas foram realidade sempre presente.
Juntos, percorremos retas, nos apoiamos nas curvas, descobrimos cidades...
Chegou o momento de cada um seguir viagem sozinho...
Que as experiências compartilhadas no percurso até aqui sejam a alavanca para
alcançarmos a alegria de chegar ao destino projetado.
A nossa saudade e a nossa esperança de um reencontro aos que, por vários
motivos, nos deixaram, seguindo outros caminhos.
O nosso agradecimento àqueles que, mesmo de fora, mas sempre presentes, nos
quiseram bem e nos apoiaram nos bons e nos maus momentos.
Dividam conosco os méritos desta conquista, porque ela também pertence a
vocês. Uma despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez.
Que nossas despedidas sejam um eterno reencontro."



Ofò fún bibó Ori (Encantamento para propiciar a cabeça)



Esta reza é para ser feita todas as manhãs, ou pelo menos, 4 vezes na semana. Ao acordar, pela manhã, bem cedo, não fale com ninguém. Vá até o seu quarto de Òrìsá, em frente ao Igbá de seu Òrìsá Funfun (Obatalá). Caso não tenha em casa, vá à uma área onde vc veja o Sol nascendo. Coloque uma enin (esteira), caso não tenha, coloque um lençol branco. Ajoelhe-se, de frente para o Sol. Pegue um pouco de gin e bocheche, cuspindo para o lado. Não engula o gin. Pegue um copo de água fresca. Molhe o centro de sua cabeça e invoque ORI: Ori oooooo. Ori oooooo. Ori ooooo. E então proceda essa reza. Não é necessário rezar em Yorubá, mas pode rezar. IRE O (BOA SORTE PARA VOCÊ)!

OFÒ FÚN BIBÓ ORÍ (Encantamento para propiciar a cabeça).

ÒRÚNMÌLÀ NÍ ODI ÈDÙN, MO NÍ ODI ÈDÙN. ÒRÚNMÌLÀ NÍ ODI ÈDÙN OKÀN, MO NÍ ODI ÈDÙN OKÀN. ONÍ TÍ EGBÉ ENI NBÁ LÓWÓ, T’A ÀBÁ LÒWÒ, Ò NÍ ORÍ ENI L’ÀÁ KÉPÈ. ONÍ TÍ EGBÉ ENI BÁ À NSE, OHUN RERE TÁÀBÁ RÍ OHUN RERE SE, Ò NÍ ORÍ ENI L’ÀÁ KÉPÈ. ORÍ MÌ, WÁ SE LÉ GBÈ LÉHÌN MI. IGBA, IGBA, NÍ ORÒGBÒ NSO LÓKO; IGBA, NÍ OBÌ NSO LÓKO . IGBA, IGBA NÍ ATAARE NSO LÓKO. IGBA , AJÉ KÓ WOLÉ TÓ MI WÁ. OÒGÙN, ÀÌSÀN, EJÓ, WÀHÁLÀ, IKÚ, ÀÍRÍJE, ÀÌRÍMU KÓ PÒÓRÁ . TÍ EFUN BÁ WO INÚ OSÙN, ÁPÒÓRÁ . KÍ GBOGBO WÀHÁLÀ MI PÒÓRÁ . ÀWÍSE NÍ TI IFÁ, ÀFÒSE NÍ TI ÒRÚNMÌLÀ. ÀBÁ TÍ ALÁGEMO BÁDÁ NI ÒRÌSÀ ÒKÈ NGBÀ. KON KON NÍ EWÉ INÓN NJÓ, WÀRÀ, WÀRÀ, NI OMODÉ NBO OKO ÈSÌSÌ. ILÉ ÒGBÁ ÒNÒN Ò GBÁ NÍ TI ÀRÁGBÁ. GBOGBO OHUN TÍ MO SO YÌÍ , KÍ ARÒ KÓ RÒ MÒ ÀSE, ÀSE, ÀSE! 
 
Tradução: (ÒRÚNMÌLÀ que fortifica os tristes, Fortifique-me, eu estou triste. Òrúnmìlà que fortifica o coração triste, fortifique o meu coração triste. Senhor da comunidade, Aquele que é honrado e respeitado, é a cabeça de alguém cansado que invoca tua ajuda. Senhor da comunidade, esteja conosco (me acompanhe), que as coisas boas nos encontrem, e que obtenhamos coisas boas, é a cabeça de alguém cansado que invoca tua a ajuda. Minha cabeça, venha cobrir a casa e minha retaguarda. Duzentos, duzentos, que orògbò cresça na floresta; Duzentos, que obì cresça na floresta. Duzentos, duzentos, que atarê cresça na fazenda. Duzentos, que o poder do dinheiro adentre minha casa. Que as feitiçarias, as doenças, os problemas, as aflições, a morte, a fome, a sede, desapareçam da minha vida. Quando efun entra no osùn, ele desaparece. Que todas as minhas aflições desapareçam. Que a palavra de Ifá se realize, e a de Òrúnmìlà também (como um canto). E ao encontrarem Alágemo realizem-se através dos Òrìsàs, que aceitam do alto. A folha no fogo queima rapidamente (que meus pedidos realizem-se assim). Leite, leite, escorra para as crianças em quantidade, como é na Fazenda Èsìsì. Que minha casa, meus caminhos, meus conhecidos se engrandeçam. Que todos os meus votos façam desabrochar, e transformar-se para mim, afim de que ao nascer do dia eu encontre facilidades. Assim seja!

Reza enviada pelo meu grande amigo Bàbálòrìsá Daniel ti Jagun! Àwùré!!!

Bori - Ajalá criou o Ori

O BORI é o ritual que harmoniza o ORI, dando assim a possibilidade de transformar um " ORI BURUKU" em "ORI RERE".
É através do Jogo de Búzios que o Bàbálòrìsá e/ou Ìyálòrìsá recebe as instruções para realizar este ato (BORI) ritualístico que possibilitará não só a mudança da sorte como também a manutenção da mesma, para que não se perca.

É o BORI que diminui a ansiedade, o medo, a dor e a tristeza,  trazendo a esperança, alegria e a harmonia. Desta forma, o BORI é uma das oferendas mais importantes que visa o bem estar individual no Candomblé.
 
O Ritual de Bori é muito sério, complexo e profundo. Por isso, o Sacerdote deve ter grande conhecimento e respeito em relação à questão do Ori e da evolução humana. Ori é o Orisá mais importante na vida de um homem, uma vez que, sem ele, o homem simplesmente não existiria. Ori significa, literalmente, cabeça e é, misticamente, o primeiro Orisá a ser cultuado. É ele o portador do destino humano.

O Ritual de Bori independe de qualquer processo iniciático e independe do culto aos outros Orisás.(variando assim de casa para casa, mas, sem fugir da finalidade em si). Seu objetivo é o de alimentar o Ori, seja qual for o sexo, raça, profissão, idade, nível social da pessoa. Com este ritual busca-se o equilíbrio através da ação do Ori, condutor do destino pessoal. Muitas vezes se realiza um ritual de Bori com o objetivo de afastar o mal do caminho da pessoa, o que não significa que, retirada esta ameaça nenhum outro mal possa ocorrer. Assim sendo, o Ritual de Bori não tem "prazo de validade", não tem freqüência determinada (anual, semestral, mensal, etc.), devendo ser repetido sempre que se mostre necessário.

O Odu manifestado através do" jogo" é que determina a necessidade de realização do Bori e indica quais materiais devem ser usados. Há dois tipos de Bori:

Aquele que é considerado pré-requisito para uma iniciação, ou seja, primeiramente se alimenta o Ori, divindade pessoal, para a seguir, alimentar outros Orisás.

Aquele realizado a fim de buscar a solução de um problema que aflige a pessoa através do alimento oferecido ao seu Ori, sem que haja necessidade de iniciação.

O local mais apropriado para realização deste ritual é a casa de santo. Este deve ter bom senso quanto a necessidade de recolhimento. Se o Bori for acompanhado de Eje, é recomendável o recolhimento como meio de repouso e proteção, pois o Ori que está sendo venerado não deve receber energia do sol nem do sereno. O recolhimento evita, ainda, que a "sombra daquele que passou pelo bori seja pisada."

O Sacerdote deve saber que durante este ritual a pessoa somente poderá entrar em transe no momento que seu Orisá for louvado. No bori, não se tem o costume de ter a presença do Òrìsá, uma vez que é um ritual destinado a "alimentação da cabeça". Deve conhecer a finalidade e o significado de cada material que usa. Omi, Obi e Orogbò, por exemplo, são elementos indispensáveis no BORI. Omi, a água, representa paz, abundância e fertilidade, enquanto o Obi e o Orogbò é usado para aplacar a fúria das adversidades, alimentar e agradar às divindades.

O jogo de búzios determinará, através de Odu, que material deve ser usado no Bori e este material poderá ser desde apenas uma quartinha com água e um Obi até uma oferenda maior.

ORI RERE = ORI de sorte = Cabeça de sorte, cabeça iluminada
ORI BURUKU = ORI sem sorte = Cabeça sem sorte, confusa, insegura, ruim
ORI INU = "Cabeça Interna"

É o ORI INU que gerencia a cabeça física do homem.
É o Òrìsá mais importante do ser humano, pois ele é ÚNICO, cada pessoa tem o seu. É Ele quem conhece e está ligado ao destino de cada indivíduo, conhece e sabe das suas restrições, das suas fragilidades , das suas potencialidades. É no ORI que se encontra a ferramenta para a solução dos nossos problemas…

Quando estamos em harmonia com ele, superamos os obstáculos mais facilmente e assim, certamente conectados à positividade interna e à dinâmica perfeita da natureza, encontramos a vitória e o sucesso na concretização dos nossos objetivos pessoais….
Da fusão da palavra bó, que em yoruba significa oferenda, com ori, que quer dizer cabeça, surge o termo bori, que literalmente traduzido significa “Oferenda à Cabeça”. Do ponto de vista da interpretação do ritual, pode–se afirmar que o bori é uma iniciação à religião, na realidade, a grande iniciação, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais de raspagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio. Sendo assim, quem deu bori é (Lesè Òrìsà).


Cada pessoa, antes de nascer escolhe o seu Ori, o seu princípio individual, a sua cabeça. Ele revela que cada ser humano é único, tendo escolhido suas próprias potencialidades. Odu é o caminho pelo qual se chega à plena realização de ori, portanto não se pode cobiçar as conquistas do outro. Cada um, como ensina Orùnmilá – Ifá, deve ser grande em seu próprio caminho, pois, embora se escolha o Ori antes de nascer na Terra, os caminhos vão sendo traçados ao longo da vida.
Os mais antigos souberam que Ajalá é o Òrìsá Funfun responsável pela criação de Ori. Dessa forma, ensinaram–nos que Osàálá sempre deve ser evocado na cerimônia de bori. Yemoja é a mãe da individualidade e por essa razão está diretamente relacionada a Ori, sendo imprescindível a sua participação no ritual.


A própria cabeça é síntese de caminhos entrecruzados. A individualidade e a iniciação (que são únicas e acabem, muitas vezes, se configurando como sinônimos) começam no ori, que ao mesmo tempo aponta para as seguintes direções:


OBI ORI - A TESTA
OBI OKAN - O CORAÇÃO
OPA OTUM - MÃO DIREITA
OPA OSSI - MÃO ESQUERDA
ESE OTUM - PÉ DIREITO
ESE OSSI - PÉ ESQUERDO


Da mesma forma, a Terra também é dividida em quatro pontos: norte, sul, leste e oeste; o centro é a referencia, logo toda pessoa deve se colocar como o centro do mundo, tendo à sua volta os pontos cardeais: os caminhos a escolher e seguir. A cabeça é uma síntese do mundo, com todas as possibilidades e contradições.
O bori prepara a cabeça para que o Òrìsá possa manifestar–se plenamente. Há um provérbio nagô que diz: Ori buruku kósi Òrìsá (A cabeça ruim não tem orixá. É o bori que torna a cabeça boa. Entre as oferendas que são feitas ao ori algumas merecem menção especial. É o caso da galinha d’angola, chamada nos Candomblés de etú ou konkém, que é o maior símbolo de individuação e representa a própria iniciação. A etú é adosú, ou seja, é feita nos mistérios do òrìsá. Ela já nasce com osù, por isso relaciona–se com começo e fim, com a vida e a morte, e por isso está no bori e no asèsè.


O peixe representa às potencialidades, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade, o seu próprio caminho. As comidas brancas, principalmente os grãos, evocam fertilidade e fartura. Flores, que aguardam a germinação, e frutas, a germinação, simbolizam fartura e riqueza.


O pombo branco é o maior símbolo do poder criador, portanto não pode faltar. A noz cola, isto é, o obi é sempre o primeiro alimento oferecido a ori; é a boa semente que se planta e espera-se que dê bons frutos.


Todos os elementos que constituem a oferenda à cabeça exprimem desejos comuns a todas as pessoas: paz, tranqüilidade, saúde, prosperidade, riqueza, boa sorte, amor, longevidade, mas cabe ao Ori de cada um eleger prioridades e, uma vez cultuado como se deve, proporcioná-las aos seus filhos.
 


Nenhum Deus abençoa o homem, sem que sua cabeça o permita.


Fonte: www.toluaye.com
http://bamgboseobtico.blogspot.com/