sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Òrìsás - quem conhece Ama!

 
 
"Orixás são divindades...
Fagulhas de um sagrado que mistura o entendimento humano, nossa capacidade de entendimento de tais seres, com a força emanada por eles que nos dão sustento.
Principalmente nos piores momentos de nossas vidas.

Orixás são vida...
Uma chama tranquila de vida que nos desperta para uma outra consciência, em que não existe bem nem mau, mas um significado para todos os nossos atos e ações.
Fazendo com que saibamos que eles estão lá, em um lugar qualquer, nos orientando, nos guiando, nos enriquecendo de sabedoria.
Porém, não são responsáveis pelos nossos erros, nossas escolhas ruins, nossos infortúnios, nossas quedas, nossa ignorância, pois Eles avisam, alertam, orientam ...
Mas é nossa a vida e são nossas as escolhas.

Orixás são caminhos...
Que deveríamos seguir, mas acabamos desviando, tentando atalhos, uma maneira melhor e mais rápida ... Daí voltamos, e Eles estão lá nos esperando. Sempre de braços abertos, mesmo que nos sacudam e nos dêem broncas, estão lá, aguardando por nós.

Orixás são temperança...
Têm vontade própria, caráter, glória, perseverança, bondade, carisma ...
Todas as características humanas, pois somente assim poderíamos definí-los.; somente assim, poderíamos descrevê-los.; somente assim, eles poderiam se revelar diante de nós.
Como um espelho onde é refletida a nossa imagem, mas que tem sua própria têmpera e brilho, os quais não podemos ver com os nossos frágeis olhos, porém, sabemos que Eles estão ali, pois a força que vem do olhar do reflexo é algo a mais que não enxergamos, mas que podemos apenas sentir. Vemos, mas não enxergamos, apenas sentimos.

Orixás são idealizações...
Onde Eles se colocam tudo do que há bom, e onde não conseguimos alcançar esse bom.
Ao contrário, só sabemos pedir, arriar, oferecer, obrigações materiais, onde não vemos o retorno útil, pois somos egoístas demais, ignorantes demais, brutos demais e muitos não sentem o retorno daquilo que é oferecido e revertido em nossas vidas. A transmutação da matéria ofertada em energia geradora de uma construção interior que poucos ainda conseguem entender e utilizá-la em suas vidas.

Orixás são luta...
Luta pela vida, por viver, por continuar, por existir, pela família, pelos amigos, pela tribo, pela glória de ser humano ... Ser especial da criação, que luta desde o ventre e continua lutando, não se deixando subjulgar nem se derrotar pelo mau do sofrimento, do egoísmo, da ganância, do soberba, da exploração do homem pelo próprio homem.

Orixás são amor...
Amor de mães, de pais, de fraternidade, de dividir a comida, compartilhar as responsabilidades, do ensinar às gerações futuras para que se possa preservar uma crença, os ritos, a doutrina, a fé.

Orixás são comunhão...
Entre Deus (Olórun ou Zambi) e os homens, nas pessoas das entidades. Dos pretos-velhos, dos caboclos, dos exús e pombogiras, dos boiadeiros, dos baianos, das crianças, dos marinheiros, dos ciganos, de tantos e tantos outros que se dispuseram a retornar, para munidos com a força de seus Orixás, orientar e guiar os homens no mundo da Terra, trocando o sofrimento pela alegria; a dor pelo alívio; a discriminação e o preconceito, pela liberdade e pelo respeito; a inveja pelo dividir e compartilhar; a ignorância pela consciência da humildade do conhecimento de ensinar e aprender ...

Orixás são a minha vida e sem Eles eu não sou nada, eu não existo."
 
Texto publicado no Correio da Umbanda – Edição 14 – Fevereiro de 2007.

Reflexão


"Gostei de me testar,
De ter sido testada.
Surpreendeu-me, o resultado.
Quero ver até onde,
Até que ponto no horizonte,
Consigo tocar!

Nunca imaginei passar pelo que passei,
Chegar aonde cheguei,
Ainda mais dessa forma:
Cada vez mais positiva,
Segura sobre a corda...
Até esboçando um sorriso.

Portanto, agora, quero ir além,
Já que estou me sentindo muitíssima bem!
Aliviada de alguns complexos,
Explodindo de energia em todos os plexos,
Estou convicta que posso ser uma pessoa melhor,
Já que tenho um propósito maior!

A devoção ao meu ofício,
Eliminou da minha vida a palavra sacrifício.
Voltei-o todo para o processo evolutivo planetário.
É o meu holístico itinerário.
Enquanto termino de acordar,
Semear o despertar!

Todo o meu ser pulsa essa meta:
Servir de seta
Para quem na vida
Resolveu se voltar para a subida.
É a razão de minha existência,
O segredo da resiliência!

Enquanto for profunda a respiração
E inesgotável a inspiração,
Dedicar-me-ei, integralmente, ao papel de arauto
Desse novo tempo,
Com seu harmonioso argumento.
Do alto do escolhido palco."


(Claudio Poeta)


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ìtán - OS GÊMEOS QUE FIZERAM A MORTE DANÇAR



"Na velha aldeia de Ifá tudo transcorria normalmente. Todos faziam seu trabalho, as lavouras davam seus bons frutos, os animais procriavam, crianças nasciam fortes e saudáveis.
Mas um dia, a Morte resolveu concentrar ali sua colheita. Aí tudo começou a dar errado. As lavouras ficaram inférteis, as fontes e correntes de água secaram, o gado e tudo o que era bicho de criação definharam.
Já não havia o que comer e beber. No desespero da difícil sobrevivência, as pessoas se agrediam umas às outras, ninguém se entendia, tudo virava uma guerra.
As pessoas começaram a morrer aos montes. Instalada ali no povoado, a Morte vivia rondando todos, especialmente aspessoas fracas, velhas e doentes.
A Morte roubava essas pessoas e as levava para o outro mundo, longe da família e dos amigos.
A Morte tirava a vida delas.
Na aldeia morria-se de todas as causas possíveis: de doença, de velhice, e até mesmo ao nascer.
Morria-se afogado, envenenado, enfeitiçado. Morria-se por causa de acidentes, maus-tratos e violência. Morria-se de fome, principalmente de fome.
Mas também de tristeza, de saudade e até de amor.
A Morte estava fazendo o seu grande banquete. Havia luto em todas as casas. Todas as famílias choravam seus mortos.
O rei mandou muitos emissários falar com a malvada, mas a Morte sempre respondia que não fazia acordos.
Que ia destruir um por um, sem piedade. Se alguém fosse forte o suficiente para enfrentá-la, que tentasse, mas seu fim seria ainda muito mais sofrido e penoso.
Ela mandou dizer ao rei, por fim:
“Para não dizerem que sou muito rabugenta, até concordo em dar uma chance à aldeia.”
E ria e escarrava ao mesmo tempo, dizendo:
“Basta que uma pessoa me obrigue a fazer o que não quero. Se alguém aqui me fizer agir contra a minha vontade, eu irei embora.”
Depois, cuspindo nos seus interlocutores, completou:
“Mas só vou dar essa oportunidade a uma única pessoa. Não vou dar nem a duas, nem a três.”
E foi-se embora dali, saboreando antecipadamente mais uma vitória.
Mas quem se atreveria a enfrentar a Morte?
Quem, se os mais bravos guerreiros estavam mortos ou ardiam de febre em suas últimas horas de vida?
Quem, se os mais astutos diplomatas havia muito tinham partido?
Foi então que dois meninos, os Ibejis, os irmãos gêmeos Taió e Caiandê, que os fofoqueiros da cidade diziam ser filhos de Ifá, resolveram pregar uma peça na horrenda criatura.
Antes que toda a aldeia fosse completamente dizimada, eles resolveram dar umbasta aos ataques da Morte.
Decidiram os Ibejis:
“Vamos dar um chega-pra-lá nessa fedorenta figura.”
Os meninos pegaram o tambor mágico, que tocavam como ninguém, e saíram à procura da Morte.
Não foi difícil achá-la numa estrada próxima, por onde ela perambulava em busca de mais vítimas.
Sua presença era anunciada, do alto, por um bando de urubus que sobrevoavam a incrível peçonhenta.
E o cheiro, ah, o cheiro!
A fedentina que a Morte produzia à sua volta faria vomitar até uma estatueta de madeira.
Os meninos se esconderam numa moita e, tapando o nariz com um lenço, esperaram que ela se aproximasse.
Não tardou e a Morte foi chegando.
Os irmãos tremeram da cabeça aos pés.
Ainda escondidos na moita, só de olhar para ela sentiram como os pêlos dos seus braços se arrepiavam.
A pele era branca, fria e escamosa; o cabelo, sem cor, desgrenhado e quebradiço.
Sua boca sem dentes expelia uma baba esbranquiçada e purulenta.
Seu hálito era de um fedor tremendo.
Mas podia-se dizer que a Morte estava feliz e contente.
Ela estava até cantando!
Pudera, tendo ceifado tantas vidas e tendo tantas outras para extinguir.
Mas o canto da Morte era tão cavernoso e desafinado que os passarinhos que ainda sobreviviam silenciavam como se fossem mudos brinquedos de pedra.
O canto da Morte, se é que podemos chamar aquele ruído de canto, era tão desconfortável e medonho que os cachorros esqueléticos uivavam feito loucos e os gatos magrelos bufavam e se arrepiavam todos.
Nesse momento, numa curva do caminho, enquanto um dos irmão ficava escondido, o outro saltou do mato para a estrada, a poucos passos da Morte.
Saltou com seu tambor mágico, que tocava sem cessar, com muito ritmo.
Tocava com toda a sua arte, todo o seu vigor.
Tocava com determinação e alegria.
Tocava bem como nunca tinha tocado antes.
A Morte se encantou com o ritmo do menino que, com seu passo trôpego, ensaiou um dança sem graça.
E lá foi ela, alegre como ninguém, dançando atrás do menino e de seu tambor, ele na frente, ela atrás.
O espetáculo era grotesco, a dança da Morte era, no mínimo, patética.
Nem vou contar como foi a cena: cada um que imagine por conta própria.
E é bem fácil imaginar.
Bem; lá ia o menino tocador e atrás ia a Morte.
Passou-se uma hora, passou-se outra e mais outra.
O menino não fazia nenhuma pausa e a Morte começou a se cansar.
O sol já ia alto, os dois seguiam pela estrada afora, e o tambor sem parar, tá tá tatá tá tá tatá.
O dia deu lugar à noite e o tambor sem parar, tá tá tatá tá tá tatá.
E assim ia a coisa, madrugada adentro.
O menino tocava, a Morte dançava.
O menino ia à frente, sempre ligeiro e folgazão.
A Morte seguia atrás, exausta, não agüentando mais.
“Pára de tocar, menino, vamos descansar um pouco”, ela disse mais de uma vez.
Ele não parava.
“Pára essa porcaria de tambor, moleque, ou hás de me pagar com a vida”, ela ameaçou mais de uma vez.
E ele não parava.
“Pára que eu não agüento mais”, ela implorava.
E ele não parava.
Taió e Kaiandê eram gêmeos idênticos.
Ninguém sabia diferenciar um do outro, muito menos a Morte, que sempre foi cega e burra.
Pois bem, o moleque que a Morte via tocando na estrada sem parar não era sempre o mesmo menino.
Uma hora tocava Taió, enquanto Kaiandê seguia por dentro do mato.
Outra hora, quando Taió estava cansado, Kaiandê, aproveitando um curva da estrada, substituía o irmão no tambor.
Taió entrava no mato e acompanhava a dupla sem se deixar ver.
No mato o Irmão que descansava podia fazer xixi, beber a água depositada nas folhas dos arbustos, enganar a fome comendo frutinhas silvestres.
Os gêmeos se revezavam e a música não parava nunca, não parava nem por um minuto sequer.
Mas a Morte, coitada, não tinha substituto, não podia parar, nem descansar, nem um minutinho só.
E o tambor sem cessar, tá tá tatá tá tá tatá.
Ela já nem respirava:
“Pára, pára, menino maldito.”
Mas o menino não parava.
E assim foi, por dias e dias.
Até os urubus já tinham deixado de acompanhar a Morte, preferindo pousar na copa de umas árvores secas.
E o tambor sem parar, tá tá tatá tá tá tatá, uma hora Taió, outra hora Kaiandê.
Por fim, não agüentando mais, a aparição gritou:
“Pára com esse tambor maldito e eu faço tudo o que me pedires.”
O menino virou-se para trás e disse:
“Pois então vá embora e deixe a minha aldeia em paz.”
“Aceito”, berrou a nauseabunda, vomitando na estrada.
O menino parou de tocar e ouviu a Morte dizer:
“Ah! que fracasso o meu. Ser vencida por um simples pirralho.”
Então ela virou-se e foi embora.
Foi para longe do povoado, mas foi se lastimado:
“Eu me odeio. Eu me odeio.”
Só as moscas acompanhavam a Morte, circundando sua cabeça descarnada.
Tocando e dançando, os gêmeos voltaram para a aldeia para dar a boa notícia.
Foram recebidos de braços abertos.
Todos queriam abraçá-los e beijá-los.
Em pouco tempo a vida normal voltou a reinar no povoado, a saúde retornou às casas e a alegria reapareceu nas ruas.
Muitas homenagens foram feitas aos valentes Ibejis.
Mesmo depois de transcorrido certo tempo, sempre que Taió e Kaiandê passavam na direção do mercado, havia alguém que comentava:
“Olha os meninos gêmeos que nos salvaram.”
E mais alguém complementava:
“Que a lembrança de sua valentia nunca se apague de nossa memória.”
Ao que alguém acrescentava:
“Mas eles não são a cara do Adivinho?”
 
Fonte: Cantinho Poético

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Elemento Fogo

O elemento fogo - na religião

A humanidade sempre nutriu um respeito profundo pelo fogo e o poder à ele atribuído. Esse respeito pelo fogo e a curiosidade em relação a ele provavelmente começaram quando os seres humanos adquiriram coragem suficiente para levar o fogo causado pelo relâmpago para seus acampamentos e usá-lo para se aquecer e cozinhar. Alguns arqueólogos colocam essa ocorrência entre 250 e quinhentos mil anos atrás. Enquanto os seres humanos não aprendiam a acender sozinhos o fogo, nossos ancestrais tinham muito cuidado em manter aceso o tempo todo esse fogo "capturado e sagrado".
Não demorou muito para os seres humanos descobrirem que o fogo possuía dois aspectos: um sagrado e um mundano. OS Xamãs acendiam o fogo de maneiras específicas com madeiras especiais. Eles usavam esse fogo para iluminar cavernas misteriosas e locais de poder sagrado onde somente certas pessoas entravam para participar de rituais místicos. Esse fogo sagrado ajudava o xamã e outros participantes iniciados a entrar em contato com os mundos espirituais onde eles recebiam mensagens e aprendiam em primeiro lugar a magia e a arte da cura. Uma vez que o fogo podia ser ou criativo ou destrutivo, acreditava-se que aqueles que lidavam com ele haviam sido tocados pelo divino.
Muitas divindidades de culturas de todo o mundo são associadas ao fogo em uma ou vários de suas formas, como a lareira, os vulcões e o relâmpago.
Muito mais tarde na história, os seres humanos desenvolveram formas mais portáteis para usar o fogo sagrado. Primeiro surgiu a tocha e depois a lamparina de azeite e as velas. Os lugares sagrados eram sempre iluminados por essas formas de fogo em miniatura, bem como também o eram os altares privados nos lares. Os sacerdotes ensinavam que a chama das lamparinas e das velas representavam o mais elevado potencial do espírito e que a fumaça conduzia as preces e os desejos dos adoradores para a esfera espiritual.
As ervas eram queimadas como incenso, onde não apenas exalavam um aroma agradável, como também frequentemente eram escolhidas pela sua capacidade de desencadear estados alterados que conduziam o sacerdote a um estado de consciência mais elevado. Acompanhados pela prece, cantos, danças e/ou concentração profunda, os sacerdotes aprendiam que eram capazes de transformar seus desejos em realidade.
Desse modo, a magia foi descoberta.
Até mesmo hoje, os rituais do fogo ainda são usados em muitas culturas e religiões ao redor do mundo. Quase todas as religiões usam velas, lamparinas ou incenso para caracterizar seus templos religiosos e cerimônias.
O fogo sempre foi sagrado. As memórias genéticas nos fazem lembrar que ele ainda é. Como resposta, somos atraídos pelas velas, quer as usemos em rituais quer simplesmente as acendamos em um bolo de aniversário ou na mesa para um jantar especial.

Fragmento do livro - Velas magia e ritual de D.J.Conway

O Asè nosso de cada dia!

Axé (Asè)
 


A palavra Axé é de origem yorubá e é muito usada nas casas de Candomblé.
Asè significa "força, poder", mas também é empregada para sacramentar certas frases ditas entre o povo de santo, como por exemplo: - "Eu estou muito bem." Outro responde: -"Asè!". Esse "Asè" ai dito equivaleria ao "Amém" do catolicismo (Que Deus permita).

Mas, o
Asè ainda pode significar a própria casa de Candomblé em toda a sua plenitude. Daí uma ìyálòrìsá também ser chamada de Yalaxê (Ìyálasè), ou seja, "Mãe do Asè", ou a pessoa responsável pelo zelo do Asè ou força da casa de Òrìsá.

Asè também pode significar "Vida". E tudo que tem vida tem origem. Chamar a vida é chamar o Asè e as origens. Os òrìsás são Asè, os òrìsás são vida. Agora, o que seria contra-asè?? O contra-asè são todas as estruturas de opressão e morte que destroem a vida das comunidades. O contra-asè ainda pode ser todas as kizilas e ewós dentro de uma casa de òrísá e também certos tabus que cercam o omo-òrìsá.

Na tradição dos Òrìsás,
Asè também pode significar a "força das águas, do fogo, da terra, do ar, das árvores, das pedras", enfim de tudo que tem vida. Pois, o Candomblé é um culto de celebração à vida e a toda a força que dela advém ou seja, o próprio culto, é o próprio Asé.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Quando o Òrìsá escolhe



Quando uma pessoa é escolhida pelo Òrìsá, ele traz uma marca que não passa desapercebida... é igual a um perfume bom que alguém passa e exala e que muitas vezes não se comenta. Mas, a curiosidade nos faz querer saber o nome da fragrância. 

Assim somos nós... quando o Òrìsá nos marca com algo especial como o cargo de Zelador(a), muitos querem saber o segredo, e o porque de ter sido você? Logo vão querer copiar, mas não dá! O segredo está no coração do Òrìsá e existem detalhes em você que é só seu. 

E o preço que se paga por ser escolhido pelo Òrìsá muitas vezes é dolorido! Tem falta de compreensão carregada de inveja e muitas vezes, com calúnia e falta de fé. Fora,  o inimigo que vai tentar usar de "armas" pra te neutralizar. Mas isto não adianta diante da grandeza do Òrìsá na sua vida, se o "selo de fidelidade" dele estiver em nós Zeladores(as) honestos, corretos e amigos. Nós vencemos tudo! 

Seja sempre grato por este amor que o Òrìsá deposita em nós, por mais difícil que possa parecer...pois Ele está conosco por hoje e sempre.

Asè!

Fonte: blogger Mulher Encantada by Suami Portinhal

O ciclo espiritual



A essência espiritual do ser humano, ou seja, sua alma, compõem-se os três elementos principais. O primeiro é o eledá, ou iponri, que é o seu espírito, a energia do seu guia ancestral, ligado a sua cabeça, ao seu destino e à sua cadeia reencarnatória.

O segundo é o emi, a respiração que, além de morar nos pulmões e no tórax, serve-se das narinas com as duas aberturas do fole do ferreiro. A respiração é o sopro vital, que faz o indivíduo trabalhar e lhe propicia a vida.

O terceiro elemento é ojiji, a sombra, que não tem outra função na vida a de seguir o corpo vivo, expressando a sua existência. Pode-se ver a sombra, ouvir e sentir a respiração, mas ninguém ouve ou sente o eledá. A sombra não tem substância e nem precisa ser alimentada, e a respiração nutre-se do alimento que o indivíduo ingere.

Contudo, o eledá, que se confunde com o próprio eu do indivíduo, deve ser nutrido através do ritual destinado a alimentar à cabeça, o bori.

A cabeça é o invólucro da mente e do cérebro - cabeça interior (ori inu) - que concentra a essência e o destino do ser humano e dirige a sua personalidade. Por isso, é cultuada como uma divindade, recebendo súplicas, louvores e oferendas.


Trecho do livro Kitábu - o livro do saber dos espíritos negro-africanos por Nei Lopes