terça-feira, 24 de maio de 2011

As dificuldades de um Sacerdócio sério


"Sobre Zeladores não li ainda nenhum estudo ou pesquisa que tenha como interesse o que é que motiva alguém a ser Zelador de Orixá.
Muitas são as razões pelas quais alguém se envolve na Religião de "Traição" dos Orixás: Problemas de saúde, de caminho, tradição de família, etc.
Mas, daí a esta pessoa se transformar em um Zelador, há um mistério. Muitos darão a este mistério o nome de “Chamado”, “Missão”, “Sina”, “Karma” ou outra coisa qualquer.
O fato é que muitos empregam esforços e recursos incalculáveis para levar adiante a sua fé. Acreditam com tanta convicção que dedicam suas vidas – e invariavelmente a de suas famílias e pares – a zelar, cuidar, amparar, proteger, auxiliar, ter todo o tempo do mundo, alimentar, curar, dar caminhos a pessoas que nunca viram na vida, que nunca fizeram o menor esforço para a edificação daquela Obra, pelo simples fato de que eles acreditam que qualquer ser humano pode- e deve- ser ajudado.
São guerreiros! Não medem esforços para nada. Altruístas! Desperdiçam grande parte- senão toda – parte de sua juventude e saúde, servindo a outros, sempre em detrimento de si mesmo ou de sua família. São perdulários! Gastam tudo o que têm – e muitas vezes o que não têm – comprando terrenos, fazendo obras – que não terminam nunca – ajudando aos outros, fazendo ebós, ìyáwòs e mais ìyáwòs sem grana, o fósforo, o gás, a conta de luz, o iptu, a prestação dos bichos da última obrigação. Fazem das tripas coração para que tudo ande bem, para que tudo corra bem, para que nada falte em sua Casa. Parece que têm um banco 35 horas à sua disposição.
Dormem pouco, preocupados, tensos, insatisfeitos sempre, porque o “fulano” ainda não arrumou emprego, porque a “sicrana” ainda não casou, porque a criança ainda não ficou boa da última gripe que teve.
Se alimentam mal, engolem sapos, lagartos, e tudo o que não deveria, para que tudo, sempre corra bem. Carregam nas costas o peso e a responsabilidade dos pecados que seus filhos praticam neste mundo. Se algo de mal lhes acontece – Deus é mais! – a culpa é sempre sua.
Afinal, o Zelador não olhou direito. No último ebó, era para ter colocado 300 gramas de farinha e ele só colocou 287 gramas. Na feitura, faltaram 3 galhos de arruda e 2 folhas de guiné. Faça o que faça, a culpa é sua, sempre! Isso quando não dizem coisas piores.
Mas, enfim, o que eu quero saber mesmo, é o que faz alguém, em sã consciência, se meter numa enrascada dessas??"


Postagem Ogan Jaçanã na comunidade Candomblé - aqui sou feliz!


Respondendo o questionamento do Ogan Jaçanã, o que leva uma pessoa a ser um PDS / MDS ? Todavia, não enxergo como enrascada, apesar das dificuldades que encontramos no caminho.

Ser um Sacerdote dentro do Candomblé nos dias de hoje, tem sido cada vez mais difícil; principalmente quando se tem a pretensão de levar à religiosidade dentro de moldes sérios de conduta moral, ética, litúrgica e tradicional. Temos esbarrados com inúmeras situações, que muitas das vezes, o desânimo acaba por nos atingir. Porém, acredito que dificuldades iguais também foram encontradas pelos Zeladores(as) mais velhos.
Não sei se a palavra seria "escolha", acredito que somos movidos por uma consciência empírica, e por um pré-destino, e temos apenas a opção de escolher entre fazermos um sacerdócio medíocre e o sacerdócio sério e comprometido.
Mas, para mim, a palavra de ordem que faz uma pessoa, adentrar nesse caminho é simplesmente o Amor ao Sagrado... o Amor incondicional aos Òrìsás... o amor como complemento soberano da própria identidade do Zelador(a); sem esses ingredientes imprescindíveis, nenhuma pessoa normal, aturaria em sã consciência as dificuldades existentes dentro do sacerdócio (e olha que são inúmeras!).
Não vejo o sacerdócio como obrigação, mas sim, como ancestralidade e vocação latente!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Uma Homenagem Especial




Atualmente estou com 42 anos de idade, e me considero uma pessoa um tanto quanto privilegiada, pois tive oportunidade de conhecer no decorrer da minha vida, pessoas de muita fé, com uma religiosidade inabalável, mas a maior destas pessoas, se chamava Iracema Magalhães da Silva, a Ìyálòrisá Iracema de Òsun, minha avó carnal.


Com a luz da concepção religiosa dos yorùbás, minha avó cumpriu sua missão no àiyé por completo, afinal, deixou-nos agbalágbà (anciã). Cumpriu todas as etapas de sua vida, nasceu, cresceu, teve filhos, netos, bisnetos e tataranetos e se foi quase que centenária.  Vejo-me como uma pessoa que fora escolhida, no entanto, creio que as pessoas são escolhidas em função de sua ancestralidade que está no òrun, mas tenho plena convicção que de onde ela está, certamente olha por mim e pelos seus familiares.

Lembro-me ainda muito pequena, que pude testemunhar, embora não compreendesse a dimensão daquilo tudo, o quanto de satisfação tinha esta senhora, ao dedicar a sua vida, a serviço dos Òrisá. Muitas vezes, ao fazer-lhe visitas, encontrava a minha avó incorporada com as suas entidades, prestando caridade a quem fosse procurá-la. Eu não entendia direito tamanha dedicação, mas de uma certa maneira, aquilo já chamava a minha atenção, e confesso que sentia orgulho de minha vózinha.

O tempo foi passando, e minha avó envelhecendo, mas totalmente firme na sua fé e no seu propósito. 

Era uma velhinha muito simpática, alegre e cheia de vida! O que será que a fazia tão feliz? O que tinha ali de tão importante, que a fizesse superar as dores insuportáveis, causada pôr uma artrose crônica? Que amor ao sagrado era esse, que bastava aparecer uma única pessoa pedindo  o seu socorro espiritual, para que ela se colocasse rapidamente à disposição? Que loucura! No auge dos meus 15 anos, por mais que eu tentasse compreender, seria praticamente impossível!

Minha avó contava que entrou para a umbanda aos 08 anos de idade, enfrentou grandiosos problemas, e um dos maiores desafios, foi a não aceitação da família (meus bisavós), por serem católicos fervorosos! Viveu toda essa loucura de não poder professar a sua religião com liberdade... foi perseguida, tendo seu barracão por diversas vezes invadido e até fechado pôr autoridades policiais, mas não esmorecia... não desistia...seguia na sua verdade. Iniciou-se no Candomblé aos 14 anos, para o òrìsá Òsún, iniciada por Tatá Fomotinho (não posso confirmar a autenticidade dessa informação, pois não há nenhum registro, somente a palavra de minha avó). E com sua casa aberta há anos, tinha o respeito de toda comunidade local.  Lembro-me também que ao chegar para uma festa que teria no barracão, ela me recebeu com a alegria de sempre, e diante de alguns convidados que estavam sentados dentro do barracão junto a ela, falou em tom de brincadeira: “Essa daqui será a minha herdeira...”. Naquele momento,  eu levei o seu comentário, como uma brincadeira mesmo, mas hoje penso, acho que minha vovó registrou a sua vontade no mundo espiritual.

Comecei a apresentar problemas espirituais aos 15 anos, e embora sentisse uma certa atração pelo Culto, morria de medo de um envolvimento maior. Fui iniciada quase 08 anos depois, coincidentemente para o Òrisá Òsún, e minha vovó nesta época já estava com seus 87 anos de idade, e embora eu não tenha sido iniciada dentro do seu asé, participava sempre que podia das festas e eventos do barracão, onde ela fazia questão de cumprir. Em virtude do avançado da sua idade, e as dificuldades físicas que a velhice trás, os filhos de santo foram se dispersando, ficando os que tinham apenas laços familiares. Apesar das dificuldades da idade, da evasão dos filhos de santo,  dava um gosto danado em ver... aquela velhinha, que por muitas vezes, teve que descer as escadas carregada em uma cadeira para chegar ao barracão, toda “montadinha”, com seu camisú, bata e fios de conta, numa alegria contagiante, e eu percebia que aquilo realmente fazia a minha avó feliz!
E eu... a admirava ainda mais por isso, porém, era uma recente iniciada, ainda vacilando na minha fé, e com certeza ali naquele momento, eu ainda não a entendia como a entendo agora. Ela realmente possuía uma força espiritual incrível e avassaladora!


Minha avó aos 90 anos de idade, foi separada daquilo que ela mais amava: a sua casa de santo. A sua idade inspirava maiores cuidados. Mesmo afastada, os momentos de lucidez eram dedicados as suas cantorias noturnas,  reverenciando à sua maneira, os seus òrísás e guias.

No dia 30 de outubro de 2000, eu posso dizer que eu tive a primeira grande perda da minha vida. Aos 94 anos de idade, um mês antes de completar 95 anos, minha avó retorna ao òrun. Minha avó faleceu de velhice, pois tirando a artrose crônica, ela continuou envelhecendo com saúde, terminando a sua vida cercada de amor e cuidados pôr seus filhos e netos, e eu considero isso, como um grande presente dos Òrisás,  a uma pessoa que se dedicou de corpo e alma em serví-los. 

Enfim... a vida faz grandes surpresas... Quando minha avó faleceu, eu havia acabado de completar 07 anos de iniciada, e estava às vésperas para tomar o meu orò de 07 anos, o que o fiz em março/2001. E... minha mãe Òsún, escolheu-me para levar essa missão adiante. Sinto-me distante em atingir o patamar de "Dona Iracema", o peso da responsabilidade é grande, mas uma coisa é certa, amo aquele asè tanto quanto ela amou, bem como os Òrisás, e quero morrer velhinha, toda “montada”, marcando no agogô o compasso das cantigas, assim como ela fazia.

Arrependo-me de ter perdido algumas oportunidades de estar com ela mais vezes, para sugar o acervo incrível de sabedoria, humildade e dedicação,  que os seus oitenta e poucos anos dedicados ao santo, lhe deram de bagagem. 

Peço a minha mãe Òsún, que minha avó esteja realmente num lugar especial, e que me dê forças para continuar com dignidade, humildade e discernimento essa sua missão tão especial!


Mo jùbá!



Poema da Ancestralidade

"Ouça no vento 
O soluço do arbusto:
É o sopro dos antepassados.
Nossos mortos não partiram.
Estão na densa sombra.


Os mortos não estão sobre a terra.
Estão na árvore que se agita,
Na madeira que geme,
Estão na água que flui,
Na água que dorme,
Estão na cabana, na multidão;


Os mortos não morreram...
Nossos mortos não partiram:
Estão no ventre da mulher
No vagido do bebê
E no tronco que queima.
Os mortos não estão sobre a terra:
Estão no fogo que se apaga,
Nas plantas que choram,
Na rocha que geme,
Estão na casa.


Nossos mortos não morreram :
E por isso que sem Passado, não temos Futuro e sem Asèsè não temos Continuidade..."
Fonte: http://bamgboseobtico.blogspot.com/

Òsún Kàrè


Kàrè é um bairro localizado em Lagos na Nigéria, próximo aos templos de Osógbò, Ilobu e Abeokutá, sendo o Òrìsá cultuado nessa região Òsún então Òsún Kàrè, ou seja Òsún de Kàrè. Justamente por essa proximidade, Òsún Kàrè aqui no Brasil, é identifcada como filha de Yemonjá (Abeokutá) e Odé (Ilobu), e irmã de Odé Kàrè. Podemos observar que essa região recebe a influência desses dois povos, sendo assim é inevitável que houvesse essa associação.
 
Aqui no Brasil, conta-se que após Odé ter tido um filho com Òsún, Logunedé, teria ido morar com Yemojá, lembrando que não seria o Odé da região de Ketu, que é filho de Yemonjá e sim Erinlè que é filho de Opaoká. E com Yemojá teria tido dois filhos, Odé Kàrè e Òsún Kàrè, quando Erinlè separou-se de Yemojá, ela cortou sua língua para que ele não contasse os segredos do fundo do mar. Foi então que Odé Kàrè foi morar com seu pai nas matas e Òsún Kàrè continuou com sua mãe, morando no rio que desagua no mar. Após algum tempo Òsún Kàrè sentiu saudade de seu pai e foi visitá-lo, no caminho ela sentiu fome, porém como morava nos rios e não tinha costume de caçar, só levou seu abebé, então mesmo com fome seguiu até o encontro de seu pai, que emocionado deu a ela de presente o Ofá (Arco e flecha unidos), e ensinou a  caçar, para que sempre que sentisse saudade de seu pai, pudesse fazer a viagem sem sentir fome.

Devido a associação a Odé, ela veste dourado e azul claro, e carrega um ofá no peito, em homenagem a seu pai, come omolokun com camarrão e ovos. Seu dia é o sábado como as demais ìyágbas. Em alguns axés nos 7 anos dessa qualidade, na primeira saída, leva um faisão dourado nos braços, uma alusão a lenda acima.

Em seu assentamento, estão presentes o otá (pedra de cachoeira), ofá, conchas, além de objetos de vaidade.

 "O conhecimento do orixá, é dado por ele e pertence a seu povo, vamos dizer não ao monopólio do candomblé, o Orixá é património público e seu saber não deve ficar concentrado na mão de poucos!". 





sexta-feira, 13 de maio de 2011

Os Pretos Velhos - Amigos Espirituais




São muitas as lembranças da minha encarnação como escravo em uma fazenda de café no interior paulista. O som da chibata, os gritos dos feitores que saíam à caça dos escravos fugidos, as amas de leite obrigadas a amamentar os filhos da sinhá. Lembranças pungentes de muito sofrimento. Quando a princesa Izabel assinou a Lei Áurea, eu estava velho e muito doente.

A senzala era o único lugar onde o negro conseguia ser livre. Minha história de vida foi muito triste, mas aprendi muito. O sinhô era um homem muito refinado e não me tratava mal, mas a sinhá era uma mulher muito infeliz. Seu coração cheio de fel não sabia amar. Era temida e detestada. Por muito pouco, mandava chicotear os escravos da senzala e o sinhô fazia todas suas vontades.

Negrinhos eram afastados das suas mães, velhos escravos iam para o tronco e as escravas caseiras tremiam com as ordens da caprichosa sinhá. Eu não me queixava e jamais cultivei o ódio e a vingança. Alguns escravos odiavam os senhores com todas as forças até à morte.

No plano espiritual, continuavam a perseguição perturbando os senhores com a força da magia negra e da vingança. Como é bom ser bom! Como é triste ser mau! Quantas lágrimas e sofrimentos os senhores plantaram através de suas atitudes. No entanto, todos caminharemos para a Eterna Felicidade! O caminho mais sublime é o Amor, mas alguns só evoluem através da Dor!

Eu era forte e jovem, mas quando meu grande amor foi vendido, capricho da sinhá, minha saúde nunca mais foi a mesma. Minha vida mudou bastante e o meu consolo eram as rezas. Jamais cultivei a revolta ou a vingança. Os Orixás me davam a paz e o consolo para suportar as provas daquela encarnação.

Pior que a escravidão são os grilhões da maldade e do preconceito. Muito pior que nosso sofrimento era o peso dos pecados daqueles que oprimiam seus irmãos de cor.

No dia 13 de maio, a alforria! No entanto, as lembranças marcaram minha vida para sempre. Foi minha encarnação mais proveitosa. Nessa vida de martírios, cultivei a renúncia e a humildade.

Quando desencarnei, meu grande amor estava à minha espera. A linda escrava que eu amei e foi vendida já estava no Plano Espiritual ansiosa pelo meu retorno. Somos todos irmãos! Somos todos iguais!

Muito tempo se passou e agora estou novamente na Terra. Não como espírito encarnado, mas como pai velho trabalhando nos terreiros de Umbanda. Minha vestimenta astral é a de preto velho. Escolhi essa missão para estar mais perto dos meus filhos de fé. Muitos precisam de libertação, da alforria da paz e da fé. Essa é a missão dos pretos velhos! Conselho, resignação, amor e paz! Limpar com a fumaça do cachimbo os miasmas do mal e da doença.

Aceitei essa tarefa sublime por muito amar a Humanidade. Conheci o sofrimento, a humilhação e a pobreza.

Minha mensagem é de libertação!


Filho de fé ,liberte-se dos grilhões do orgulho e do egoísmo. Se você está sofrendo, não desanime! Confie no Pai Oxalá que tudo vê e tudo sabe! Faça sua parte no aprimoramento espiritual e na reformulação das suas atitudes. Liberte-se das vibrações negativas do desânimo, da tristeza e do pessimismo.

Ame a Terra! Colabore para que nosso planeta melhore cada vez mais e seja um grande Lar de Amor! Liberte-se do peso da angústia através do Amor! Perdoe seus inimigos, porque Oxalá é o exemplo de Perdão e Misericórdia!

Desejo que Oxalá o ilumine hoje e sempre! Nascemos para vencer e evoluir! Nascemos para conviver com Amor e tolerância! Somos todos irmãos! Nascemos para cumprir apenas uma passagem! A verdadeira vida é a vida espiritual!

Pai João das Almas (Mensagem psicografada por Sandra Cecília)

domingo, 8 de maio de 2011

Ser mãe - Homenagem a todas e a minha em especial!

Ser mãe...
Mais que dar à luz
é SER luz
na vida de alguém.

Luz que não se apaga, quando um dia
foge-nos a presença, causa dor
ser mãe é ser amor!

Ser para sempre dentro da gente
lembrança guardada com carinho
enciclopédia, ensina os caminhos
o amanhecer pintado numa tela...
com as melhores cores da aquarela
pedaço do coração, que ela nos deu
quando eu nasci, você nasceu...

Ser mãe é ser assim
ter tudo que se quer, para doar
doar os próprios sonhos e até mais
ser a gota do oceano do seu filho
tudo fazer, para que nunca o veja naufragar.

Guiar-lhe os passos
desde quando trôpegos
até quando cansados.
Abrir picadas na selva da vida
às vezes com o próprio corpo.

Ser mãe é bênção, dádiva, dom
feito de espinhos ou de pétalas
porque ser mãe é ser calor
no mais terrível rigor do inverno.
  

Fonte: Tere Penhabe Santos

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Pai Ninor - mais uma grande perda!!!

Faleceu ontem em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, o Decano do Asè da Ilha Amarela, Pai Ninor de Osun.

Prestes a completar 70 anos de iniciação, partiu para o Orùn, deixando centenas de filhos espirituais.

Iniciado pelo Saudoso Bàbálòrìsá Otávio da Ilha Amarela, Pai Ninor foi um dos
Bàbálòrìsás mais respeitados do Candomblé do RJ, com trânsito livre nas principais casas de Candomblé do Brasil.

Hoje, com a morte de Pai Ninor, morre um pouco da história do Candomblé, da tradição, da hierarquia e da respeitabilidade Nagô. Morre uma das principais referencias do Candomblé, seja pela sua postura ímpar, seja pelo seu conhecimento inestimável.

Novamente, o Candomblé está  de luto com essa perda irreparável, entretanto, conforta-nos a certeza que ele estará no Orùn, entre os seus.



O enterro do Bàbá Ninor será no cemitério Jardim da Saudade de Edson Passos às 14:00 do dia 05/05.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Somos todos descartáveis e tão fáceis de substituir?



Passei a observar que não há quase amizades genuínas, apenas aliados provisórios, que fogem de ti ao menor sinal de algo mais interessante surgindo. Então, todas as declarações de amizade sincera, todos os elogios antes dispensados e toda a atenção é jogada fora. Corta-se aqui, cola-se algo ali e o circo é armado. E que armações!!! Dignas de um capítulo de Agatha Christie…
Confesso que pra mim ainda é difícil entender isso, pois aprendi a usar as coisas e amar as pessoas. Aqui as pessoas não são tão valorizadas. “É tudo virtual” Dizem… Mas esquecem que do outro lado do monitor, há alguém real, com sentimentos reais.

Somos tão insubstituíveis quanto o amor que damos. Nossa marca indelével é gravada de maneira invisível no coração dos nossos filhos e entes queridos.

Por que desistimos tão rápido das pessoas?

Descartável, como todos imaginam, quer dizer que se pode ou se deve descartar.

Essas frases acima foram coletas na internet. Estava pesquisando para saber que somente eu acredito que tudo é descartável em nossa vida.
Descobri que como eu existe muitos que nadam na via contrária. Me senti mais normal e talvez mais triste.
Assim como a vida ficou banal, como ver um corpo jogado no chão e não sentir nada, passar por ele com indiferença. Ficou descartável o ser humano.
Logo seremos reciclados. Quando nos relacionamos com alguém deverá falar assim: Olha depois de usar bastante, posso ser usado para outra coisa basta me reciclar.
Vivemos nos tempos que nada fica por muito tempo, nem mesmo as pessoas.
Porque ?
Como viver num mundo onde enjoamos das coisas e trocamos tudo ?
Desistimos de tudo com uma facilidade porque logo estaremos com algo novo, mais legal.
Hoje todos defendem suas idéias, se colocam em posição intocada. Acreditam que suas verdades são absolutas e como hoje tudo é descartável, melhor trocar do que parar para entender o outro. Tentar olhar com outros olhos a necessidade alheia.
Mas mudar dá trabalho.
Mas entender e lutar por aquilo que acreditamos é complicado.
Então trocamos: de casa de santo...de pessoas...de trabalho...de sonhos.
Tudo se troca.
"Viva as pessoas de alma bem pequena!"

Fonte: Povo do Santo by Robson T'ode

Procurando algo interessante na net... deparei-me com esse texto do irmão Robson, o qual me chamou a atenção, principalmente porque tenho visto de maneira cada vez mais frequente, essa "cultura à usurpação". 

Pessoas que entram e saem das nossas vidas, com uma íncrivel rapidez, esquecendo por completo à maneira como foram recebidas e tratadas. Não vejo isso como normalidade, apesar de entender a praticidade dos dias atuais.

Assim como, o irmão Robson, me pego às vezes nesse mesmo questionamento...

O que faz as pessoas serem tão intolerantes, e logo desistir de algo? Os vínculos afetivos não deveriam ser descartáveis... relacionamentos deveriam ser respeitados. As facilidades do cotidiano, acabam fazendo com que o individualismo esteja sempre em alta, e isso acaba por nos distanciar ainda mais da categoria "ser-humano". Num mundo onde a palavra da moda é a " sustentabilidade ", as pessoas em sua maioria, acabaram por inserir esse conceito em suas vidas, esquecendo que embora importe a satisfação de suas necessidades no presente, o sustento não se consegue só. Desde que o mundo é mundo, em todas as fases das nossas vidas, precisamos de algo ou de alguém, deveríamos nos comprometer com a satisfação das necessidades das gerações futuras, pois com tanto desamor... o que ensinaremos a eles. 

Certamente, temos o direito de querer e avaliar o que é bom para as nossas vidas, mas temos que procurar ser mais criteriosos nessa investida, e mas e principalmente, nos nossos descartes.

Vejo a cada dia, pessoas acumulando desafetos durante o percurso das suas vidas, porque não sabem simplesmente ser sinceros com elas próprias... porque aquelas mesmas "declarações de amizade sinceras, os elogios dispensados"  enaltecidas no começo...  não podem ser findados com palavras sinceras e firmes de        "  muito obrigada (o) pelo que fez por mim"... mas...infelizmente...  não dá... não quero mais..."

Todavia, é visível a covardia pulsante dos usurpadores, que os fazem tomar atitudes de apenas sumirem, sem dar uma única satisfação, uma única demonstração de gentileza ou de idoneidade. Isso acaba sendo característica nata desse tipo de gente. Talvez, eu também esteja sendo julgadora nesse momento, mas, fui criada e absorvi isso, que pessoas merecem respeito...sejam elas boas ou más... Levo comigo a máxima: "  Não faça com o alheio aquilo que vc não gostaria que fizesse com vc.". Durante a nossa caminhada nessa vida... devemos aprender que todo o lado ruim, tem também o seu lado bom, mas na prática, toda essa teoria não funciona... as mágoas corroem...buracos, crateras são abertos, e nem sempre são devidamente preenchidas.

Não... pessoas não são descartáveis!!! Não existe um compromisso de fidelidade, lealdade e de amizades verdadeiras? Não posso ver esse fato com banalidade, sinto-me com um grande dificuldade de aceitar essa triste realidade.


Principalmente dentro do mundo do santo, onde acabamos por conta da nossa missão, nos doando mais do que o normal para essas pessoas. Os descartes me incomodam, assim como as ingratidões… e tenho a plena certeza de que NÃO QUERO… modificar a minha maneira de ver a vida… de lidar com as pessoas com sentimentos puros e nobres, apenas porque existem pessoas que realmente não compreendem o verdadeiro sentido da vida. 

Quero manter-me fiel aos meus principios, e embora faça parte dos descartes constantes das pessoas, vou continuar não olhando as pessoas como descartáveis! 

Asè... Só desabafando!!!!!