quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Jogo de Búzios



O sistema de consulta utilizando búzios foi introduzido no Brasil e aceito pelas primeiras comunidades religiosas ao tempo de Ìyá Nàsó, pela sua possível opção de ser utilizado tanto por homens como por mulheres. Enquanto Ifá e o Òpèlè são, ainda hoje, utilizados somente por homens, os búzios foram opção viável se considerarmos que os primeiros Candomblés foram dirigidos exclusivamente por mulheres. Foi Bámgbósé que implantou um sistema de jogo apoiado em 16 odù, que se dividiam em 70 caminhos; para cada caminho, uma revelação diferente, o que faz o odù ter personalidade variada, na sequência das jogadas efetuadas. Por esse motivo é que se efetuam diferentes jogadas e a interpretação feita pelo conjunto de odù apresentado nas caídas.

Os Búzios

São conchas marinhas compostas de duas faces: dianteira e traseira. A face dianteira contém uma fenda dentada de cima a baixo, a qual podemos chamar de boca, e segundo a totalidade dos Bàbáláwo, é a parte falante do jogo. A face traseira, originalmente fechada, é aberta para propiciar o equilíbrio e a queda dos búzios em duas posições, aberto e fechado, com idênticas probabilidades. Há quem diga que o uso do búzio pela parte aberta manualmente é próprio das mulheres, e o uso da parte aberta naturalmente é próprio dos homens. Não seguimos este processo por fugir às tradições estabelecidas. E mais, observando a face dianteira do búzios verificamos que se assemelha a uma boca, onde vemos os lábios superior e inferior, os dentes da arcada superior e inferior. Esta é, portanto, a parte da frente e a boca pelo qual o búzio fala.




Os Odù no Jogo de Búzios


A posição que os búzios tomam ao serem lançados durante o jogo é denominada de Odù. Par cada posição do búzio entre o lado aberto e o fechado, o Odù toma um nome diferente num total de 16, que são denominados de Ojú Odù, ou seja, os Odú principais. Possuem um total de 70 caminhos, Ese, distribuídos de forma desigual entre si. Para cada caminho, uma história, Ìtán, que será analisada por analogia como forma de orientação ao consulente, e que determinará o tipo de Ebo a ser realizado, se for o caso. No decorrer de um jogo, um determinado lance pode indicar a necessidade de dar caminho a um Odù (Adimú), o que indevidamente se costuma dizer "despachar Odù". Nesses casos, devem ser observados os Odù que não podem ser "despachados" e o que fazer com esta circunstância muito comum de ocorrer.

No sistema Bámgbósé, cada Odù possui sua história baseada na fecundação que lhe dá origem, o que lhe propicia posicioná-lo na tábua de colocação do jogo de 1 a 16. Esse posicionamento é importante para a prática do Jogo do Ìbò, um elemento auxiliar para determinadas respostas durante o jogo de búzios, tomando-se como referência os Odù mais velhos e os Odù mais novos.



Distribuição dos Caminhos entre os Odù do Jogo de Búzios

1 - Òkànràn                    5 caminhos

2 - Éjì Òkò                     4 caminhos

3 - Étà Ògúndá               5 caminhos

4 - Ìròsùn                       5 caminhos

5 - Òsé                           5 caminhos

6 - Òbàra                       4 caminhos

7 - Ódi                           5 caminhos

8 - Éji Onílè                    8 caminhos

9 - Òsá                           5 caminhos

10- Òfún                         4 caminhos

11- Òwónrín                    5 caminhos

12 - Èjilá Seborà              5 caminhos

13 - Éjì Ológbon              5 caminhos

14 - Ìka                           5 caminhos

15 - Ogbègúndá                     -

16 - Àlàáfíà                            -

Os Òrìsás no Jogo de Búzios

Os Òrìsás falam durante um jogo, posicionando-se como porta-vozes das mensagens transmitidas pelos Odù, podendo aí revelar-se como guardiões da pessoa, Elédá. A características de cada Òrìsá deve ser levada em consideração por ocasião das caída, sendo que, em muitos casos, são eles próprios os personagens das histórias reveladas pelos Odù. Como ilustração podemos considerar algumas posições de Òrìsá e o que representam no jogo: Omulu - doenças, morte; Ògún - luta, emprego; Òsóòsi - viagens; Òsàálá - tranquilidade, sofrimento; Òsún - amor, choro.

O Jogo de Búzios e outras formas de predição devem ser vistos como mecanismo essencial para relações entre o òrun e o àiyé . Os odù posicionados representam a Ciência, Filosofia e Religião de um povo. Explicam o Ser Humano, a razão e origem de todas as coisas, a Vida e a Morte, determinam a Ética e a Moral a serem seguidas; explica os Òrisás e seus fundamentos, as folhas e tabus, as cores e razões dos ritos religiosos. Seria emocionante ouvir essa riqueza de informações por parte dos "olhadores", o que não ocorre em sua quase totalidade, seja, pela falta de conhecimento sobre o assunto, ou interesse, apenas, no sucesso financeiro que a arte do jogo lhes dá.



Fonte: Òrun Aiyè - O encontro de dois mundos - Josè Beniste

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Divulgando - Curso gratuito de Inclusão Digital jovens e 3a.idade

ORTC oferece, curso gratuito de Inclusão Digital para Jovens e 3ª Idade

A ORTC- Organização Cultural Remanescentes de Tia Ciata está oferecendo , curso de Inclusão Digital para Jovens e 3ª Idade, este projeto de Inclusão Digital, busca democratizar o acesso às tecnologias da informação e comunicação, alfabetizando digitalmente, proporcionando (ou ampliando) o contato da maioria das pessoas com as novas ferramentas. Todo cidadão tem direito à informação, principalmente jovens e idosos. Nesse sentido, a Inclusão Digital é a promoção do acesso às “novas tecnologias”, aplicada na solução dos problemas sociais, através da geração de conhecimentos e de intercâmbio de informações, temos objetivo de ampliar a proporção de cidadãos, sobretudo os de baixa renda , acesso às tecnologias da informação, Buscamos também aumentar as iniciativas de desenvolvimento de projetos de Inclusão Digital para a Terceira Idade no país.

( Em frente ao terminal rodoviário Shopping Center, encima do restaurante popular no CRJ – Centro de Referencia da Juventude)
Informações: (21) 2775-9066 / 8881 1262.


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AOS INTERESSADOS FAVOR MANTER CONTATO ATRAVÉS DO E-M: ileyeyekareatidei@hotmail.com - Ìyálòrìsá Elaine ti Òsún

culinária afro brasileira


CULINÁRIA AFRO-BRASILEIRA




O negro introduziu na cozinha o leite de coco-da-baía, o azeite de dendê, confirmou a excelência da pimenta malagueta sobre a do reino, deu ao Brasil o feijão preto, o quiabo, ensinou a fazer vatapá, caruru, mungunzá, acarajé, angu e pamonha.
A cozinha negra, pequena mais forte, fez valer os seus temperos, os verdes, a sua maneira de cozinhar. Modificou os pratos portugueses, substituindo ingredientes; fez a mesma coisa com os pratos da terra; e finalmente criou a cozinha brasileira, descobrindo o chuchu com camarão, ensinando a fazer pratos com camarão seco e a usar as panelas de barro e a colher de pau. 

Milagre para o governador tomar sopa 


O primeiro negro pisou no Brasil com a armada de Martin Afonso. Negros e mulatos (da Guiné e do Cabo Verde) chegaram aqui em 1549, com o Governador Tomé de Souza, que comia mal e era preconceituoso: entre outras coisas, não admitia sopa de cabeça de peixe, em honra a São João Batista.
Bem que o Padre Nóbrega tentou convencê-lo de que era bobagem, mas Tomé de Souza resistiu, até que o jesuíta mandou deitar a rede ao mar e ela veio só de cabeça de peixe, bem fresca e o homem deixou a mania, entrou na sopa.

Da Guiné vieram, principalmente, fulas e mandingas, islamitas e gente de bem comer. Os fulas eram de cor opaca, o que resultou no termo "negro fulo" (entrando depois na língua a expressão "fulo de raiva", para indicar a palidez até do branco). Os mandingas também entraram na língua como novo sinônimo para encantamentos e artes mágicas. Mas os iorubanos ou nagôs, os jejes, os tapas e os haussás, todos sudaneses islamitas e da costa oeste também, fizeram mais pela nossa cozinha porque eram mais aceitos como domésticos do que a gente do sul, o povo de Angola, a maioria de língua banto, ou do que os negros cambindas do Congo, ou os minas, ou os do Moçambique, gente mais forte, mais submissa e mais aproveitada para o serviço pesado.

O africano contribuiu com a difusão do inhame, da cana de açúcar e do dendezeiro, do qual se faz o azeite-de-dendê. O leite de coco, de origem polinésia, foi trazido pelos negros, assim como a pimenta malagueta e a galinha de Angola.

   
A INTRODUÇÃO DA CULINÁRIA AFRICANA NO BRASIL
 

 

CONHECIMENTOS SOBRE A COZINHA DE SANTO
 

A cozinha de santo nas Nações de Ketu, Djeje, Angola, Nagô, Ioruba, Bantos, etc., inclusive no Omolocô quando puxado para uma das outras Nações, é bem diferente das cozinhas profanas, onde se prepara os alimentos do homem em geral.

Há uma série inteira de preceitos do ritual que se há que obedecer. Os utensílios não são iguais aos da cozinha comum. Por essa razão traçaremos um plano de organização, colocando em seqüência as coisas que precisam ser observadas para que tenhamos ORDEM e gozemos das simpatias e estima constante, de todos os ÒRÌSÁS para os quais preparamos os alimentos, as OBRIGAÇÕES.

Algumas receitas ficaram comuns com a inclusão dessa culinária:

Abará: Bolinho de origem afro-brasileira feito com massa de feijão-fradinho temperada com pimenta, sal, cebola e azeite-de-dendê, algumas vezes com camarão seco, inteiro ou moído e misturado à massa, que é embrulhada em folha de bananeira e cozida em água. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Yànsán, Obá e Ibeji).


 

Aberém: Bolinho de origem afro-brasileira, feito de milho ou de arroz moído na pedra, macerado em água, salgado e cozido em folhas de bananeira secas. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Omulu e Osùmàrè).

Abrazô: Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de farinha de milho ou de mandioca, apimentado, frito em azeite-de-dendê.



Akasá: Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de milho macerado em água fria e depois moído, cozido e envolvido, ainda morno, em folhas verdes de bananeira. (Acompanha o vatapá ou caruru. Preparado com leite de coco e açúcar, é chamada akasá de leite.) [No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Osáàlá, Nanan, Ibeji, Yemoja e Esú.] 


 

Adum: Doce de origem afro-brasileira feito de milho torrado e moído, misturado com azeite-de-dendê e mel. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Òsún). 

 
Aluá: Bebida refrigerante feita de milho, de arroz ou de casca de abacaxi fermentados com açúcar ou rapadura, usada tradicionalmente como oferenda aos òrìsás nas festas populares de origem africana. 



 

Kibebe:  Prato típico do Nordeste, de origem africana, feito de carne-de-sol ou com charque, refogado e cozido com abóbora. Tem a consistência de uma papa grossa e pode ser temperado com azeite-de-dênde e cheiro-verde.



REGRAS SEGUIDAS NA COZINHA DE SANTO


    Via de regra, a Cozinha de Santo tem os seguintes apetrechos, os seguintes utensílios:

MESA OU BANCA onde se colocam os fogareiros à carvão, se na casa não existe ou não tem FOGÃO DE LENHA. Como medida de precaução e até mesmo de maior higiene a mesa modesta, ou banca, deve ser forrada de folha de Flandres (ou folha de alumínio) que evitará seja a madeira queimada pela quentura dos fogareiros e/ou pelas brasas que escapam pela grelha; ela pode ser um pouco comprida para comportar, ao lado, um grande alguidar ou bacia, onde se procede a lavagem dos utensílios, panelas e louça.

Um FOGAREIRO (ou vários) conforme a necessidade, de ferro, para carvão vegetal. São facilmente encontrados em lojas de ferragens, principalmente nos bairros mais modestos.

PANELAS DE BARRO, vidradas ou simples, ou então de ferro. Nós preferimos as de barro, como nos tempos passados.

AS COLHERES são de pau, de variados tipos. RALOS para côco são de folha. URUPEMBA (peneira) é de taquara e a encontramos em casas especializadas, o COADOR deve ser de folha.

MÁQUINA de moer carne. Atualmente já não se encontra PEDRA DE RALAR, DE MOER (mó) para triturar grãos e por esse motivo só pode ser resolvido com um moinho ou pilão (que já é difícil de encontrar). A escumadeira também é de folha.

O FOGAREIRO ou o FOGÃO DE LENHA não se abana para os dois lados, como na feitura de alimentos profanos; abana-se da Direita para a Esquerda, a princípio parece difícil, mas em pouco tempo acha-se o jeito.

Constituída ou organizada a Cozinha, vejamos agora as pessoas que nela vão trabalhar:

As ÌYÁBÁS ou ÌYÁBASÉS, as cozinheiras do Santo, trabalham paramentadas, vestidas no ritual. Colocam ao pescoço os fios de conta do òrìsá cujo alimento está sendo preparado.

Se tem-se recursos maiores, procura-se ter um depósito ou numa dispensa o material ou ingredientes mais usados para se poder atender rapidamente, ao pedido ou ordem superior, referente à qualquer obrigação.

Nos depósitos da cozinha de Santo, não devem faltar os seguintes artigos ou gêneros mais aplicados na alimentação ou nas obrigações:

Azeite de dendê.

Azeite de Oliveira (azeite doce)

Arroz quebradinho

Canjica

Canjiquinha de milho vermelho

Cebolas

Farinha de mandioca, farinha de guerra, farinha de pau.

Feijão fradinho, feijão miúdo

Feijão branco

Feijão vermelho

Fubá de milho vermelho

Fubá de milho branco

Fubá de Arroz

Maisena

Milho alho - para pipocas

Noz moscada

Ori

Pimenta malagueta

Velas



 

Antes de começar o trabalho de cozinhar para o santo, a ÌYÀBÁ, ou filha de fé, ou filha de santo, acende uma vela ao seu ELEDÁ, próximo ou ao lado do local onde vai executar o dito trabalho e ao lado da vela, um copo d'água. Se o trabalho se alongar e a vela terminar, antes que isso aconteça, acende-se outra sobre o toco que está terminando, uma outra e ao terminar o trabalho, retira-se a vela e o copo d'água de perto do fogão ou fogareiro, colocando-a no PEJI ou em lugar alto para terminar, terminada a vela, despacha-se a água em lugar que haja água corrente, no lavatório, no tanque.

Após o serviço, as brasas dos fogareiros são apagadas com areia, nunca com água.

Organizada a cozinha, poderemos a qualquer momento, preparar a iguarias originariamente destinadas aos Òrìsás tal qual são realizadas na fonte doutrinária do Candomblé.
 

A história da alimentação, dá-nos uma coleção de preceitos e crendices, conforme segue:

Não se come despido ou sem camisa, é ofensa ao Anjo da Guarda;

Comer com chapéu na cabeça é comer acompanhado de forças negativas;

Não se come com o prato na mão, a miséria fareja;

Não se come as pontas dos animais ou aves são Asés (pertencem ) ao santo;

Dinheiro sobre a mesa de refeições provoca miséria;

Quando cai comida no chão ou escapa do talher e vai ao solo é sinal de que existe parente passando necessidade;

Não se apanha alimento que cai ao chão. É das almas;

Recebe-se o prato com a mão direita  - é benção do prato cheio (C. Cascudo);

Pão não se joga fora -  é corpo de Deus;

Donzela não serve sal, não corta galinha, nem passa palitos - custa a casar. (C. Cascudo);

Relativamente à cozinheira, prescrevem:

Não se mexe alimentos que estão cozinhando, no sentido da mão esquerda, senão desanda ou encrua;

Não se mexe comida de Esú com a mão direita, para não absorver fluídos negativos;

Antes de começar a cozinhar para o santo, faz-se o sinal da cruz, tudo correrá bem;

Não bata com a tampa da panela quando estiver cozinhando, afugenta a proteção;

Quando a comida não quer amolecer, coloca-se na panela, três caroços de milho, amolece rápido;

Não deve cozinhar para o santo: os homens de corpo sujo e as mulheres de corpo aberto; Corta o efeito das obrigações;

São várias as  determinações referentes ao ritual de Candomblé, assim:

Não se cortam aves ou bichos de quatro pés a não ser nas juntas. O santo recusa.

Obrigação mal feita ou mal arriada, paga-se em dobro.

Quando se arreia uma obrigação na encruzilhada, não se volta, nem se passa pelo mesmo caminho durante 24 horas, para não pegar os miasmas de retorno.

Antes de se sacrificar um animal (quando necessário) nos terreiros, manda-se limpá-lo com o omi (água), sem isso o santo não aceita.

O Sacrifício de aves e/ou animais só são aplicados por conta da necessidade vista através da consulta dos búzios ao Òrìsá.


VARIEDADES DAS COMIDAS DE SANTO


ESÚ - farofa - dendê e pinga.
ÒGÚN - feijão preto com cebola.
OSÓÒSI - milho e coco.
OSANIYN - feijão preto com mel e coco.
OBALUWAIYÈ - pipocas.
SANGÒ - quiabo ( Ajegbò e Amalá ).
OSÙMÀRÈ - batata doce ou amendoim cozido com casca e mel.
ÒSÚN - ovos cozidos, camarão, milho e coco.
YÁNSÀN - acarajés.
NANAN - folha de Mostarda ou Taioba.
OBÁ - divide com Sangò, o quiabo ( Amalá ).
YEWÁ - frutas.
IROKO - verduras e cebola.
YEMOJÁ - arroz, mel, peixe, manjar branco.
OSÁÀLÁ - rroz branco, canjica, inhame pilado e cozido.








COMIDA PARA ESÚ:
Material ecessário: Farinha, azeite-de-dendê, mel, milho branco e vermelho, figado, coração e bofe de boi, cebola, camarão seco socado, oberó.
 

Maneira de Preparar:
Mi-Ami-Mi : É a farofa amarela ( farinha misturada com Azeite-de-Dendê ).

Pade branco : É a farofa de Mel ( farinha de mandioca misturada com mel de Abelha ).


 

Akasá branco: O akasá feito de milho branco de canjica, moído e enrolado na folha da bananeira depois de cozido.
 

Eran : Fígado, coração e bofe de boi, cortados em pedaços muídos, misturados com azeite-de-dendê, camarão seco socado e cebolas cortadas em rodelas, num oberó.

COMIDA PARA OGÚN
Material necessário: Inhame, azeite-de-dendê, mel de abelhas.

Maneira de Fazer:
Frita-se o inhame na brasa. Depois disso, descansa-se e tempera-se no azeite-de-dendê e o mel de abelhas.


 

ERAN - O Eran de Ogún é feito com miúdos de boi, cortados bem pequenos e cozidos no azeite-de-dendê. Depois, eles são passados num refogado de cebola ralada e estão prontos.

EFUN - Farofa de mel - mistura-se a farinha de mandioca com mel de abelhas e pronto. Pode-se colocar num Oberó, nos pés de Ogún, ou nas estradas, pedindo a Ogún que adoce os seus caminhos e suas estradas.


COMIDA PARA OXÓSSI (ODÉ)

Material necessário: Milho Vermelho, côco, 1 oberó

Maneira de Fazer:

Asosó - É a comida mais comum de Osóòsi - cozinha-se o milho vermelho somente em água, depois deixa-se esfriar, coloca-se num Oberó e enfeita-se por cima com fatias de côco.



 

COMIDA PARA ÒSÚN

Omolokún 

Material necessário: Feijão fradinho, cebola, camarão seco socado, azeite-de-dendê, ovos cozidos.

Maneira de Fazer:

Cozinha-se o feijão fradinho só em água. Em seguida, tempera-se num refogado de cebola ralada com camarão seco socado de dendê. Coloca-se em uma tigela e enfeita-se por cima com ovos, descascados.


 
           

COMIDA PARA YÁNSÀN - OYÁ
      

Acarajé
 
Material necessário: Feijão fradinho, camarão seco socado, cebola, azeite-de-dendê.

Maneira de Fazer:

Coloca-se o feijão fradinho de molho em água, para descansá-lo crú. Depois, moesse o feijão e mistura-se com a cebola ralada, camarão seco socado e deixa-se a massa descansar, coberta por um pano ou uma pedra de carvão no meio. Depois, bate-se bem a massa para dar ponto, e fritam-se bolos tirados com a colher, no azeite-de-dendê bem quente.




COMIDA PARA OSÙMÀRÈ

 
Material necessário: Feijão fradinho, milho vermelho, cebola, azeite-de-dendê.

Maneira de fazer:

Cozinha-se o feijão fradinho em água. Separado, cozinha-se o milho vermelho também em água. Depois, juntar o feijão e o milho, num refogado de cebola ralada com Azeite-de-Dendê.

Nota: Osùmàrè e Yewá comem juntos.
Osùmàrè é a cobra macho e Yewá a cobra, chamados no Djeje de Dan-Bessén ou Azaundo.

Material necessário: Milho vermelho, feijão fradinho, azeite-de-dendê, camarão seco, 1 oberó, batata-doce, ovos cozidos, 1 côco, mel.

Maneira de Fazer:

Cozinha-se o milho só em água. Separado, cozinha-se o feijão fradinho, também só em água. Refoga-se o feijão com azeite-de-dendê, cebola ralada e camarão seco socado. Coloca-se o feijão em metade de um oberó e, na outra metade o milho vermelho. Frita-se a batata-doce e coloca-se por cima em fatias, em volta, enfeita-se um ovos cozidos em rodelas, fatias de côco e coloca-se bastante mel de abelha por cima.



COMIDA PARA OSANYIN

Material necessário: Batata-doce, cebola, azeite-de-dendê, oberó.

Maneira de fazer:

Cozinha-se a batata-doce só em água. Depois, descansa-se e amassa-se feito purê. Ai, mistura-se num refogado de cebola ralada com azeite-de-dendê, e coloca-se tudo num oberó.


COMIDA PARA OBÁ

Material necessário: Feijão fradinho, cebola, camarão seco socado, azeite-de-dendê, farinha de mandioca,  oberó.

Maneira de Fazer:

Cozinha-se o feijão em água. Depois, mistura-se num refogado de cebola raladas, camarão seco socado, azeite-de-dendê e água. por cima, adiciona-se farinha de mandioca, fazendo um pirão e coloca-se num oberó.

Nota: Conta-se que Obá é a dona do amor e quando se quer solucionar uma questão de amor, oferece-se uma comida desta na beira do lago, com muitas velas e flores.
     


COMIDA PARA YEMO

Ejá (peixe)

Material necessário: Peixe de qualidade vermelho, azeite doce, camarão seco socado, cebola ralada.

Maneira de Fazer:

Cozinha-se o peixe em refogado de azeite doce com camarão seco socado e cebola.


 

EGBÒIYÁ

Material necessário: Canjica cozida, azeite doce, camarão seco socado, cebola ralada.

Maneira de Fazer:

Cozinha-se a canjica, tempera-se com azeite doce, camarão seco socado e cebola ralada.


COMIDA PARA NANAN

Damborò

Material Necessário: Folha de Taioba ou Mostarda, cebola ralada, camarão seco socado, azeite-de-dendê.

Maneira de Fazer:

Cozinha-se bem a folha de taioba ou mostarda,e em seguida tempera-se num refogado de cebola ralada, camarão seco socado e azeite-de-dendê.

 

COMIDA DE OMOLU E OBALÙWAIYÈ

Doburù

Material Necessário: Milho alho ( para pipoca ) ou milho vermelho, areia da praia.

Maneira de Fazer:

Numa panela quente com areia da praia, estourar o milho e está pronto o doburú.




OUTRAS COMIDAS

Material Necessário: Feijão preto, cebola, ½ K de camarão seco, azeite-de-dendê.

Maneira de Fazer:

Cozinha-se o feijão preto, só em água, e depois refoga-se cebola ralada, camarão seco e azeite-de-dendê.


COMIDA PARA SANGÒ

Amalá

Material necessário: Quiabos, Mel,  azeite-de-dendê,  água,  gamela, carne de sol.

Maneira de Fazer:

Cortam-se os quiabos em pedacinhos bem pequenos, depois tempera-se com cebola ralada, camarão seco socado e azeite-de-Dendê. Cozinha-se bastante e depois mistura-se com a carne de sol cozida e cortadas em pedacinhos.


 


COMIDA PARA OSÁÀLÁ

Egbò

Material necessário: Canjica branca, Mel, Algodão, Água.

Maneira de Fazer:

Cozinha-se a canjica somente em água. Depois de bem cozida, coloca-se numa vasilha branca, coloca-se bastante mel de abelhas e cobre-se com algodão.

Akasá

Material necessário: Canjica branca, folha de bananeira.

Maneira de Fazer:

Moe-se o milho de canjica, cozinha-se até dar até dar o ponto de ficar bem durinho e enrole os bolinhos na folha da bananeira.


 

Inhame Acará

Cozinha-se o inhame e depois amassa-se feito um purê. Faz-se bolinhos na mão e coloca-se em pratos brancos. Oferece-se a Osáàlá.



 




Nota: Todos os Òrìsás do Candomblé comem akasá branco. Em cima da comida do Òrìsá, antes de oferecer-lhe, deve-se abrir um akasá branco.
         

 Fonte:
http://www.reideife.rg3.net/

sábado, 9 de abril de 2011

Ko si Ewé ... Ko si Òrìsá!

Aquilo que te cura é o que te escraviza. Veneno e remédio são irmãos e moram no asè da mesma folha. É desta forma que Ifá nos esclarece sobre a natureza do òrìsá Osanyin, o senhor das plantas medicinais e litúrgicas das matas cerradas e densas florestas

Meditar sobre Osanyin coloca o homem diante de perguntas das mais pertinentes sobre a nossa condição e relação com o mundo: determinada coisa  é a minha cura  ou a minha condenação? Me liberta ou escraviza? Quem é o verdadeiro escravo, o cativo ou o seu dono? 

Dizem que Osanyin - que vivia pelas matas ao lado de seu escravo Aroni -  recebeu o poder de Olodumare para conhecer o mistério das folhas. Guardou as folhas todas numa cabaça pendurada no galho de uma árvore. Um dia Yànsán, muito curiosa, enfeitiçou os ventos para que eles derrubassem o galho da árvore e espalhassem as folhas sagradas pela floresta. Os demais Òrìsás, então, recolheram determinadas folhas e passaram a considerá-las como suas.

Esse conto de Ifá, o corpo literário e filosófico dos Yorubás que está em pé de igualdade com os mais belos sistemas de pensamento que a humanidade concebeu, é uma poderosa alegoria sobre a difusão do saber pelo mundo. A curiosidade espalhou o conhecimento e difundiu o segredo.

Havia, porém, um problema. A folha, para se transformar em remédio, tem que ser potencializada pela palavra e o canto. Só o encantamento pelo verbo é capaz de dotar a folha de seus atributos de cura. A ausência da palavra não potencializa a folha. A utilização da palavra errada transforma em veneno o que era para ser o bálsamo.  

Os Òrìsás, então, mesmo tendo recolhido as folhas que o vento de Yànsán distribuiu, precisavam ainda de Osanyin, porque só a ele Olodùmarè dera o conhecimento das palavras e dos cantos capazes de dotar as folhas do asè. E é essa a função de Osanyin desde então, potencializar a folha pela palavra e dotar a planta da capacidade de vida e morte.

Osanyin é, portanto, dos Òrìsás mais perigosos, sedutores e desafiadores. É o senhor da expressão certa que nos cura e o conhecedor da palavra que, mal colocada, pode nos matar. Veneno e remédio, afinal, são irmãos.

Osanyin mostra o poder da palavra que vira poema, canto, evocação do mistério, libertação e vitalidade.
Osanyin alerta para o poder da palavra que desarmoniza, é declaração de guerra, dureza de pedra, escravidão e perda do a - a morte.

Osanyin ri e zomba dos homens que não sabem o que fazer com o verbo. São estes, curiosamente, os que mais falam.


Encanta a folha com a tua palavra, mas não faz do teu verbo a serpente que envenena  o mundo. Eis o desafio poderoso que Osanyin nos lança todos os dias e está expresso em um dos seus mais famosos orikis.

É por isso, segundo a filosofia nagô, que os Bábàlosanyin [sacerdotes de Osanyin e conhecedores dos atributos do encantamento das plantas] são os mais calados dentre os sábios. Eles sabem exatamente que o homem que diz sou, não é.
 
Por conhecer o teor de veneno e remédio que cada palavra guarda, os que reverenciam o senhor das folhas, se não podem encantar o mundo, preferem silenciar.

 Texto de Luiz Antonio Simas






Ábèbè Òsún = Erva Capitão
Abéré = Picão Preto

Ábitólá = Cambará

Àfòmón = Erva de Passarinho

Àgbá = Romã

Àgbàdó = Milho

Àgbaó = Imbaúba

Agbéye = Melão D'Água

Àgbon = Coqueiro

Àgogo = Figueira do Inferno

Àjóbi, Àjóbi Oilé, Àjóbi Pupá = Aroeira Comum, Aroeira Vermelha

Àjóbi Funfun = Aroeira Branca

Akan = Cará Moela

Akòko = Acoco

Jokonije = Jarrinha

Alékèsì = São Gonçalinho

Àlùbósà = Cebola

Àlúkerésé = Dama da Noite

Àlùmóm = Boldo Paulista

Àmù = Sete Sangrias

Apáòká = Jaqueira

Àrìdan = Aridan

Àrùsò = Alfazema

Àsíkùtá e Efin = Malva Branca

Ata = Pimenta Malagueta

Ataare = Pimenta da Costa

Atopá Kun = Arruda

Àtòrìnà = Sabugueiro

Awùrépépé = Agrião do Para, Pimenta D'Água

Bàlá = Taioba

Balabá = Lirio do Brejo

Bánjókó = Bem me Quer

Bàrà = Melancia

Bejerekun = Pindaíba

Bujè = Jenipapeiro

Dandá = Junquinho

Dankó = Bambu

Efínfín = Alfavaca

Efínrín Kékéré = Manjericão

Ègé = Mandioca

Ègúsi = Melão

Èkèlegbara = Perpétua

Ekun = Sapê

Elégédé = Abóbora

Èpà = Amendoim

Eré Tuntún = Levante

Eró igbin = Erva de Bicho

Èsìsì = Urtiga

Etába ou Asá = Tabaco

Étipónlá = Erva Tostão

Ewé Bàbá = Boldo

Ewé Bíyemí = Quebra Pedra

Ewé Boyí = Bétis Cheiroso

Ewé Gbúre = Bredo

Ewé Idá Òrìsà = Espada de São Jorge

Ewé Inón = Folha Fogo

Ewé Isinisini =  Mastruz

Ewé Iyá = Pariparoba

Ewé Kúkúndùnkú = Batata Doce

Ewé Lárà Funfun = Mamona

Ewé Lorogún = Abre Caminho


Local de pesquisa: 
O livro  Ewé Òrìsà.

Autor:  Flavio Pessoa de Barros e Eduardo Napoleão.                                                                                  

Ed. Bertrand Brasil .

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Solidariedade - Tragédia na Escola Tasso da Silveira Rio de Janeiro



A tragédia acontecida hoje pela manhã no município do Rio de Janeiro em uma Escola Municipal de Realengo,
crianças foram mortas, e algumas estão feridas com gravidade nos Hospitais do Rio de Janeiro.
O Hemorio informou que está sem estoque de sangue para atender a todos que estão chegando aos hospitais. Por esse motivo, convoco, como mãe, cidadã, que as pessoas procurem o Hemorio e façam doação de sangue em favor dessas crianças.

Vamos todos!!!

O  Hemorio fica na Frei Caneca, Centro do Rio de Janeiro.
Rua Frei Caneca, 8
Rio de Janeiro - RJ, 20211-030
(0xx) 21 2332-8611